Publicitário cria ferramenta para 'censurar' sites

Protesto contra censura ao 'Estado' e ao 'estadão.com.br' simula como seria se a moda pegasse

André Mascarenhas, do estadão.com.br,

28 de agosto de 2009 | 21h39

 

O publicitário Arthur Soares, de 22 anos, não sabia que versos dos Lusíadas e receitas culinárias eram usadas nas páginas do Estado de S.Paulo e do Jornal da Tarde em protesto contra a censura do regime militar. Ainda assim, ao ler sobre o recente episódio de censura contra Estado e o estadão.com.br, criou um protesto semelhante: uma ferramenta que coloca uma tarja preta com a inscrição "censurado" sobre qualquer site, para simular como seria se a moda pegasse.

 

O site http://censuranuncamais.com/, criado por Soares, é simples, e se propõe basicamente a ensinar maneiras de "censuras" páginas e divulgar o movimento. Também é possível, através do site, colocar a tarja "censurado" sobre o avatar do Twitter ou em logos e blogs. Clique aqui para saber mais.

 

"Eu não tenho nenhum vínculo político. Me incomoda a censura em si, não interessa o que foi censurado", explica Soares, que utiliza a internet desde os 12 anos e assina um blog e um perfil de Twitter. "O que me preocupa é onde isso pode chegar. Daqui a pouco, censuram meu blog", pondera, para explicar que sua motivação não é contra um político ou partido em especial. "Acho que tudo deve ser publicado. Quem faz o filtro é o interlocutor."

 

Estado sob censura

 

O recurso judicial que pôs o jornal sob censura foi apresentado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e acusado pela PF pelos crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha. Os advogados do empresário afirmam que o 'Estado' não poderia publicar trechos das conversas telefônicas gravadas em operação da Polícia Federal, com autorização judicial. Segundo eles, a divulgação de dados das investigações fere a honra da família Sarney.

 

A censura veio em meio as pressões para que José Sarney deixe a presidência do Senado.

 

A liminar que censurou o Grupo Estado foi concedida pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), próximo a José Sarney.

 

Ex-consultor jurídico do Senado, Dácio Vieira é do convívio social da família Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia. O desembargador foi um dos convidados presentes ao luxuoso casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel, da qual Sarney foi padrinho

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