Publicidade do governo cresce 65% no semestre

Gastos foram maiores no mês seguinte à posse de Michel Temer e no anterior ao afastamento de Dilma Rousseff

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - O gasto do governo federal com publicidade cresceu 65% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2015. Levantamento do site Contas Abertas mostra que as despesas subiram de R$ 234,1 milhões, no ano passado, para R$ 386,5 milhões, em 2016. O montante inclui publicidade pública, institucional, legal e mercadológica.

A maior parte do desembolso foi realizada um mês antes de a presidente Dilma Rousseff ser afastada do Palácio do Planalto pelo Senado, em maio, e no mês posterior à posse do presidente em exercício Michel Temer.

Em abril, foram destinados R$ 79,9 milhões para publicidade – quase o dobro (98%) do que no mesmo mês de 2015. Em junho, os gastos foram de R$ 82,1 milhões, valor cerca de 50% superior ao do mesmo mês do ano passado.

O Estado apurou que o governo Temer vai cortar no mínimo 25% dos gastos com publicidade em 2017. O Planalto quer focar suas propagandas em ações de utilidade pública e menos em publicidade institucional.

O governo também vai revisar no próximo ano os gastos das estatais. Eletrobrás e Correios, por exemplo, vão diminuir não só os investimentos em publicidade, mas também os com patrocínios, porque enfrentam problemas de caixa. 

A maior parte dos recursos deste ano – R$ 212,4 milhões, que correspondem a 55% da verba – foi gasta com utilidade pública. É nessa área que o governo Temer quer priorizar o investimento. A publicidade institucional, usada para divulgar atos, obras e programas governamentais, recebeu R$ 109 milhões no primeiro semestre. Para o atual governo, os petistas usavam parte dessa verba como “ferramenta de luta política” e “campanha ideológica”. 

Ainda há verbas destinadas à publicidade legal – R$ 57,1 milhões –, que se refere à publicação de avisos, balanços, relatórios e comunicados de órgãos por força de lei. A conta de publicidade prevê ainda R$ 8,1 milhões aos serviços “mercadológicos”, em que sociedades controladas pela União atuam em uma relação de concorrência no mercado.

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