Bancada do PTB anuncia apoio ao impeachment de Dilma; decisão será referendada nesta quinta

Em entrevista, deputado Wilson Santiago Filho diz que 15, dos 19 parlamentares do partido são favoráveis ao afastamento

Pedro Venceslau, Valmar Rupsel Filho e Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 13h55

BRASÍLIA - O PTB anunciou formalmente nesta quarta-feira, 13 que vai apoiar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff a ser votado no próximo domingo, 17, no plenário da Câmara dos Deputados. A decisão foi tomada em uma reunião da bancada e o anúncio foi feito pelo deputado Wilson Santiago Filho (PB), líder interino do partido.

O líder da legenda, Jovair Arantes (GO), está licenciado por ter assumido a relatoria do pedido na Comissão Especial. Em entrevista no salão verde da Câmara, Santiago Filho afirmou que a proposta de impeachment conta com apoio de 15 dos 19 parlamentares petebistas. Segundo ele, apenas quatro devem votar contra o governo no domingo.

A deputada Cristiane Brasil (RJ), que participou da entrevista, afirmou que a decisão será referendada nesta quinta-feira, 14, em uma reunião do diretório nacional da sigla. Ela é filha do presidente do PTB, Roberto Jefferson, que reassume o posto nesta quinta.

Cristiane afirmou ainda que os dissidentes não serão punidos. A deputada relatou que teve dois encontros recentemente com o vice-presidente da República, Michel Temer, sendo que em um deles seu pai esteve presente. Na conversa, eles teriam falado sobre temas como uma minirreforma constitucional, reforma tributária, reforma da Previdência e sobre o que chamou de invasão de competência de um poder sobre o outro.

A dirigente afirma que o número de parlamentares favoráveis ao afastamento de Dilma era maior, mas diminuiu nos últimos dias, após os anúncios de desembarque de partidos como o PP. Segundo ela, deputados como Zeca Cavalcanti (PE) e Jorge Côrte Real (PE) passaram a apoiar o impeachment nos últimos dias.

Pelo Placar do Impeachment do Estado, até as 19h25 desta quarta-feira, dos 19 deputados do PTB, 13 se posicionaram a favor do afastamento de Dilma e 4 contra. Outros dois se disseram indecisos.

Os petebistas também disseram a Temer que rechaçam a proposta de recriação da CPMF e que uma possível participação de um ministério em seu governo será tratada em um outro momento. "Não falamos sobre cargos", diz a deputada.

Reação. Logo após a entrevista, o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), um dos vice-líderes do governo, subiu ao púlpito no salão verde para rechaçar o balanço de votos pró-impeachment feito pela oposição e acusar o grupo de Temer de oferecer cargos em um eventual governo para aprovar a proposta de impeachment. "Ofereceram a presidência da Petrobrás e toda diretoria para Eduardo Cunha. Furnas para o Aécio Neves e o Ministério do Trabalho para Paulinho da Força", disse.

Segundo Costa, a contabilidade da oposição não é real. "Pelos números da oposição, vamos ter que colocar beliches no plenário para os deputados dormirem um sobre o outro. Seriam uns 700 deputados. É uma piada. Esta conta é a conta do desespero."

Em entrevista coletiva realizada na tarde de hoje, os líderes da oposição disseram que já contam com 349 votos pelo impeachment, 127 contra e 37 indecisos.

Segundo ele, a tabela do impeachment da base governista prevê que o governo tem 203 votos para barrar o processo, sendo que são necessários 172. No final da entrevista, Silvio Costa chamou a oposição de golpista. 

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