PTB nega conversa com Dilma sobre ministério

Presidente nacional do partido diz que legenda não foi chamada para falar sobre reforma ministerial, mas que apoiaria indicação de Armando Monteiro

Ricardo Brito e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2014 | 16h00

Brasília - O presidente nacional em exercício do PTB, Benito Gama, afirmou nesta sexta-feira, 21, que o partido ainda não foi chamado para tratar sobre reforma ministerial com a presidente Dilma Rousseff (PT), mas que ainda assim apoiaria a indicação do senador Armando Monteiro (PTB-PE) para ocupar o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No final da manhã, Dilma recebeu Monteiro no Palácio da Alvorada, o que aumentou a especulação de que ele poderia assumir a pasta. O senador do PTB - candidato derrotado na eleição deste ano ao governo de Pernambuco com o apoio do PT de Dilma - é ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"O partido ainda não foi chamado para conversar. Ele (Armando Monteiro) tem duas alternativas. Ser indicado na cota pessoal da presidente, uma coisa que a gente respeita, mas que não é (da cota) do partido. A outra é ser da cota do partido e não temos nada a opor à escolha da presidente", disse Benito, que foi eleito em outubro deputado federal pela Bahia.

O líder do partido na Câmara, Jovair Arantes (GO), também destacou que a bancada não foi chamada para discutir a indicação. "Acredito que ela vai nos chamar. É o mínimo que ela deve à bancada", disse Jovair. Tanto Benito como Jovair ressaltaram que Monteiro é uma opção qualificada e "de peso". "Não teríamos dificuldade de conversar sobre isso", destacou o líder petebista.

Desde a eclosão do mensalão, a partir das declarações do delator do escândalo e presidente licenciado do partido, Roberto Jefferson em 2005, o PTB não integra o primeiro escalão dos governos petistas. Na eleição deste ano, a legenda decidiu, de última hora, apoiar o candidato derrotado à Presidência, Aécio Neves (PSDB).

O líder petebista destacou que os deputados da legenda permaneceram fiéis ao Palácio do Planalto mesmo com a direção petebista tendo optado por se coligar a Aécio. "Quem secou o bagaço em prol da Dilma foi a bancada da Câmara", destacou. "A bancada precisa ser ouvida e certamente será."

O presidente do PTB disse que ainda não está definido como será o apoio da bancada do partido no Congresso - a legenda elegeu 25 deputados e contará com três senadores. Ao chamá-lo para conversar sobre o ministério, Dilma pretende reaproximar o PTB e espera que os deputados da sigla ajudem o governo a derrotar o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), na eleição para a presidência da Casa.

Questionado sobre o tema, Jovair Arantes disse que o posicionamento da bancada sobre disputa pelo comando da Câmara não entrará nas negociações de uma eventual participação do PTB no primeiro escalão do segundo mandato de Dilma.

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