PTB fecha com Alckmin e terá o vice em São Paulo

Assim como Marta, ex-governador busca o apoio do bloco de esquerda,mas pondera que a aliança é difícil

REUTERS

19 de maio de 2008 | 14h06

A candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura de São Paulo nas eleições municipais recebeu nesta segunda-feira 19,  a adesão do PTB e do PSDC. Juntas, as três siglas darão a Alckmin 5 minutos em cada uma das duas inserções diárias do horário eleitoral gratuito da TV. O PTB ocupará a vaga de vice e o candidato será escolhido entre o deputados estadual Campos Machado, presidente do partido no Estado; o senador Romeu Tuma e o deputado federal Arnaldo Faria de Sá.  Veja Também:  Geraldo Alckmin fala sobre as eleições municipais de SP  O presidente do PSDB municipal, José Henrique Reis Lobo, deu a dica de uma possível escolha. "São Paulo vai estar bem servida com a eleição de Geraldo Alckmin e Campos Machado", disse Lobo durante o anúncio do apoio do PTB na sede estadual da legenda. Alckmin, empatado na liderança da pesquisa Datafolha com a ministra do Turismo Marta Suplicy (PT), disse que vê a sondagem com humildade e que espera contar com o apoio de todo o PSDB em sua campanha. "No processo eleitoral, é natural que haja divergências, agora, decidido, estará todo mundo junto", afirmou. Ele conta também com o apoio do governador José Serra, que nos bastidores apóia a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A maioria dos vereadores tucanos também prefere manter a aliança com o DEM, com o atual prefeito na cabeça de chapa. "O DEM não está descartado", disse Alckmin, salientando que fez todo o esforço para que a aliança não fosse desfeita no primeiro turno. Alckmin, assim como Marta, busca o apoio do chamado bloco de esquerda, composto pelo PDT, PSB e PCdoB, mas o tucano ponderou que a aliança é difícil, pois o bloco pode ter candidato próprio. Partido da base de sustentação do governo Lula, o PTB sofreu pressão de deputados e do ministro da Coordenação Política, José Múcio, para aderir à candidatura de Marta Suplicy, disse o senador Romeu Tuma. Em 2004, o PTB apoiou Marta, que ainda não tem apoios declarados a sua candidatura este ano. Kassab, do DEM, tem o apoio de PMDB, PR e PV, o que lhe garante quase 10 minutos de TV.   Ausência de Serra  O pré-candidato tucano procurou minimizar a ausência de José Serra no ato de formalização da aliança - um contraponto com o que ocorreu em campanhas passadas, quando Alckmin esteve ao lado do atual governador paulista em eventos do gênero. "Na realidade, a campanha começa no dia 6 de julho. Eu tenho conversado com o Serra, inclusive na segunda-feira passada voltamos juntos do Rio (depois de participarem de um evento da Fundação Roberto Marinho) e conversamos das questões práticas da campanha," disse, sem entrar em detalhes sobre quais seriam essas questões. A aliança firmada nesta segunda-feira com o PTB e o PSDB já garante a Alckmin cerca de 5 minutos de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. O presidente estadual do PTB, deputado Campos Machado, cotado para vice de Alckmin, disse também que a aliança com os tucanos na Capital abre a possibilidade de a legenda apoiar a eventual candidatura de José Serra à presidência da República em 2010. "Eu conversei com o Jefferson (Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB) e ele me disse que apoiar o PT (nas eleições de 2004 e 2006) foi um ato falho, um desatino, e ele está muito satisfeito com o apoio ao PSDB em São Paulo, tanto que abriu a possibilidade de apoiar o Serra em 2010." Nos discursos durante o ato que formalizou a aliança PSDB, PTB e PSDC, a tônica foi a união em torno do nome de Alckmin. A falta dos vereadores tucanos - apenas Tião Farias estava lá - levou Campos Machado à seguinte afirmação: "O PTB marchará unido com Alckmin e não haverá a mais leve traição de nossos vereadores". Já Henrique Lobo lembrou que "uma coligação não se faz apenas com vistas a ganhar tempo na TV", numa crítica indireta ao leque de alianças fechado por Kassab e que dá ao prefeito o maior tempo de propaganda no rádio e na televisão. E o presidente nacional do PSDC, José Maria Emayel, também falou em apoio irrestrito ao tucano e classificou Alckmin de "grande líder".  Conflito   Apesar do anúncio oficial do acordo, Alckmin e Campos Machado evitaram falar se a aliança será majoritária ou proporcional. O PSDB ofereceu a vaga de vice ao PTB, mas ainda não atendeu a reivindicação dos petebistas de fechar a aliança proporcional, o que incluiria na campanha de Alckmin os vereadores dessa legenda e poderia ampliar o número de cadeiras dos petebistas na Câmara Municipal, que hoje são quatro. Essa questão é mais uma polêmica que alimenta a dissidência dos 11 dos 12 vereadores tucanos da Capital.  O secretário municipal de Esportes, Valter Feldman, um dos maiores defensores da manutenção da aliança com o DEM do prefeito Gilberto Kassab, vem afirmando que se a coligação do PSDB com o PTB for proporcional, os tucanos que concorrem à Câmara Municipal poderão ser prejudicados, por causa do risco dos petebistas pegarem algumas das vagas dos tucanos. Em entrevista concedida após o ato de hoje, Campos Machado defendeu a eleição proporcional, mas Alckmin foi cauteloso e disse que o assunto ainda está em discussão. Pesquisa   Geraldo Alckmin comentou a pesquisa Datafolha, divulgada neste final de semana, que o coloca na liderança da corrida à Prefeitura de São Paulo, ao lado da petista Marta Suplicy, destacando, mais uma vez, que ela é uma fotografia do momento. Apesar disso, ele acredita que sua candidatura tende a crescer: "Eu sou o único (dos pré-candidatos) que não tenho cargo, não tenho governo, não tenho mídia. O povo é muito fiel." A respeito dessa pesquisa, o presidente do Diretório Municipal do PSDB foi além e disse que ela deveria servir "como um recado" para trazer todo o partido a cerrar fileiras em torno da candidatura Alckmin. (Com Elizabeth Lopes, da AE)  Texto atualizado às 16h30

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