Ueslei Marcelino/REUTERS
Ueslei Marcelino/REUTERS

PTB em São Paulo abre portas para ex-ministros ‘ideológicos’

Diretório quer filiar Salles, Weintraub e Araújo; com Roberto Jefferson preso, sigla cogita mudar de nome e eliminar ‘trabalhismo’

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2021 | 19h29

Em uma tentativa de se firmar como a principal trincheira da ala mais ideológica do bolsonarismo, o PTB determinou que os ex-integrantes “ativistas” do governo terão espaço garantido na legenda para disputar cargos proporcionais em 2022. O partido se aproximou de dissidentes do Novo e estuda até mudar de nome para eliminar o “trabalhismo” da sigla. O diretório paulista da legenda já se prepara para servir de abrigo para os novos filiados, entre eles os ex-ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Abraham Weintraub (Educação). 

Presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson – que foi preso na última sexta-feira por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito das milícias digitais –, o PTB também decidiu participar dos atos programados para o dia 7 de setembro contra o STF. Os novos militantes da agremiação levarão faixas e cartazes em defesa da libertação do seu dirigente, tratado por eles como um “preso político”. 

Segundo Flávio Beal, vice-presidente do diretório paulista do PTB, a executiva da legenda no Estado encomendou “estudos de branding” para escolher um novo nome para o partido. A mudança é uma tese que vem sendo debatida internamente como estratégia para reduzir a resistência de lideranças que estão se aproximando. 

“O PTB está fazendo uma boa tentativa de abraçar a direita, mas se encaixa nisso de uma maneira meio torta. O partido foi fundado em cima de esquerdismo e lei trabalhista. É pai, mãe, tio e avô da esquerda brasileira. Tem coisas que ainda não se ajustaram. O nome é uma delas”, disse o deputado federal Luiz Philippe de Orleans Bragança (PSL-SP). 

Cotado para ser vice de Bolsonaro em 2018, Luiz Philippe vai deixar o PSL e já se reuniu com Roberto Jefferson, que o convidou para entrar no PTB. O parlamentar, descendente da família real brasileira, disse que quer entrar em um partido que tenha “rigor ideológico” para enfrentar a esquerda “fogo com fogo”. 

Investigado em inquéritos do Supremo Tribunal Federal sobre propagação de notícias falsas e financiamento de atos antidemocráticos, o empresário Otávio Fakhoury assumiu a presidência estadual do PTB paulista em um ato que contou com a presença de Salles. Depois de tentar uma vaga de deputado federal pelo Novo em 2018, o ex-titular do Meio Ambiente é uma das apostas do PTB paulista. 

Além dele, o partido também convidou Ernesto Araújo e Abraham Weintraub. “Eles tem a garantia de legenda para disputar a vaga que quiserem na eleição proporcional, mas na majoritária vai depender da nossa coligação”, disse Flávio Beal. O PTB mantém a porta aberta para receber o presidente Jair Bolsonaro ou quer estar no mesmo palanque que ele nos Estados. 

Em outra frente, o PTB se aproximou de dissidentes do partido do Novo e de parlamentares do partido que estão descontentes com a direção nacional e defendem as pautas bolsonaristas. 

O engenheiro e administrador Roberto Motta, que foi um dos fundadores do Novo, e o empresário Diogo da Luz, que disputou o Senado pelo partido, foram sondados pelo PTB para concorrerem a vagas na Câmara dos Deputados em 2022. Já os parlamentares que ainda estão no Novo querem esperar para anunciar a mudança. 

Depois do trabalhismo dos anos pré-1964 e do fisiologismo posterior à redemocratização, o integralismo chegou ao PTB. Fundada em 1945 por Getúlio Vargas, a sigla está cada vez mais radicalizada à direita. Recentemente, integrantes da Frente Integralista Brasileira (FIB) se filiaram ao diretório do partido em São Paulo.

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