PTB discute desligamento do bloco governista nesta quarta

Senadores do partido também debaterão a posição da bancada em relação à prorrogação da CPMF

Cida Fontes, do Estadão

19 de novembro de 2007 | 16h45

O PTB, partido do ministro de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, e do líder do governo na Câmara, José Múcio (PE), poderá infernizar a vida do governo. Na próxima quarta-feira, os seis petebistas do Senado fazem uma reunião para se desligar do bloco governista e discutir a posição da bancada em relação à emenda constitucional que prorroga a CPMF. A Executiva Nacional do PTB tem encontro marcado para o dia 28 deste mês, quando deverá ser constatado que o governo não tem a maioria do partido. Até à reunião do comando nacional, presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) pretende reforçar o movimento em favor do fechamento de questão contra a CPMF. "Vou fazer uma boa conspiração", afirmou Mozarildo que tem conversado com Jefferson sobre os problemas da bancada no Senado. Apesar desse esforço, ele considera "muito difícil" o partido tomar essa decisão. "Com certeza não vamos fechar a favor, mesmo porque o governo não tem maioria no PTB", ressaltou. Na semana passada, Mozarildo Cavalcanti foi destituído da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pela líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), para não votar contra a CPMF. Ideli informou aos senadores, na reunião da CCJ, que a decisão havia sido acertada com o líder do PTB, senador Epitácio Cafeteira. O líder petebista, no entanto, disse que a petista não falou a verdade. "Em nenhum momento fui consultado pela líder. E caso tivesse sido consultado sobre esse assunto, seria prontamente contrário à decisão tomada, pois entendo que, desde que fui escolhido por meus pares para exercer a honrosa liderança do PTB nesta Casa, todas as deliberações de interesse do partido têm sido pautadas pelo consenso e pelo diálogo com todos os membros da bancada, dentro do espírito democrático", escreveu Cafeteira em carta que enviou a Mozarildo Cavalcanti um dia depois do episódio da CCJ. O próprio Cafeteira ressaltou que, diante do fato "lamentável" de Ideli Salvatti chegara o momento de a bancada repensar sua participação no bloco de apoio ao governo, é que comandado justamente pela petista. "O PTB não está recebendo tratamento condizente ao seu tamanho, sua responsabilidade e, principalmente, sua grandeza nesta Casa", continuou Cafeteira. Mozarildo Cavalcanti disse que até hoje não foi procurado por Mares Guia, mesmo porque é considerado "um caso perdido" na votação da CPMF. Dos outros cinco senadores do PTB - o sétimo é Fernando Collor de Mello que está licenciado do Senado - Mozarildo disse que Romeu Tuma (SP) e Sergio Zambiasi (RS) em relação à CPMF estão indecisos. Ele contou que, depois de sete meses do encontro da bancada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Mares Guia, nada do que foi prometido pelo Planalto em relação a seu Estado foi cumprido.  Segundo o senador petebista, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tem sido um entrave às ações governamentais em Roraima porque é oposição ao governador Ottomar Pinto, que é do PSDB. "Mesmo se o presidente resolver as pendências não voto em favor da CPMF. Como médico e cidadão eu sei que dos malefícios do imposto e o tanto que a saúde piorou", disse Mozarildo.

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