PT vai ter de aprender a repartir o governo, diz Delfim Netto

O resultado das eleições municipais fará com que o PT tenha de "repartir o governo" com os partidos que formam sua base política no Congresso Nacional. A avaliação é do ex-ministro Delfim Netto (PP-SP). "O PT vai ter de compreender que é um governo de coalizão, não é de um só partido. Nesse sentido, o aparelhamento do governo tem limites. Será preciso repartir o governo com quem o apóia no Congresso", sustentou.Embora afirme que uma reforma ministerial é uma decisão do presidente da República, Delfim disse ser "óbvio" que um governo de coalizão implica divisão do poder entre partidos.Na Câmara dos Deputados, Delfim lembrou que o PT tem 90 votos (são 89), que somados aos partidos de esquerda não chegam a 25% do total dos votos (513)."O governo precisa de outro um quarto que não pode ser tratado com banheiro", ironizou, referindo-se à dificuldades que a base aliada tem com o núcleo do governo Lula.Com a experiência de quem está na Câmara dos Deputados desde 1987, Delfim Netto não acredita que as insatisfações, queixas e ameaças de parlamentares da base aliada sobre a atuação do governo na eleição prejudique a agenda parlamentar nestes últimos meses de 2004. "Tão logo termine a eleição, cada um lambe as suas feridas e não tem problema maior", afirmou Delfim.A partir do dia 3 de novembro, Delfim aposta na retomada dos trabalhos parlamentares. Até o final de dezembro, ele acredita que a Lei de Falências, a reforma do Poder Judiciário e o projeto sobre as Parcerias Público Privadas (PPP) estarão aprovados. "A PPP é um instrumento importante para o País. Já corrigimos os pontos inadequados para aprová-la", afirmou.Sobre a possível derrota do PT em grandes capitais, como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, Delfim Netto minimizou a importância política. Segundo ele, uma eleição não implica que um partido fique eternamente no poder. "É a contingência do processo político", completou o ex-ministro.

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