PT vai lançar rádio e TV na web para alavancar Dilma

A longo prazo, projeto é produzir uma grade completa de programação

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

06 de setembro de 2009 | 00h00

Mesmo sem a certeza da aprovação pelo Congresso do projeto que regulamenta do uso eleitoral da internet, o PT já começa a tirar do papel um de seus principais projetos nessa área. Em mais um sinal de que está decidida a tirar proveito da rede mundial de computadores na corrida presidencial de 2010, a direção nacional do partido decidiu criar uma emissora online de rádio e televisão.

Apesar de surgir como um canal institucional de comunicação, o projeto ajudará desde já a melhorar a exposição da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na rede. Além disso, reconhecem dirigentes da sigla, é uma chance de testar o potencial de ferramentas online que poderão ser replicadas pela campanha petista na eleição de 2010.

A estratégia ainda está em fase de desenvolvimento, mas a pretensão do PT é ir além da simples publicação de vídeos em seu site na internet, fórmula que já existe nas páginas de vários partidos políticos. A ideia é, no longo prazo, cobrir "todo o dia a dia do PT", por meio da produção de reportagens, cobertura de eventos, entrevistas e transmissões ao vivo, de forma a preencher uma grade completa de programação voltada aos internautas.

O partido já encomendou equipamentos para montar um estúdio completo dentro do prédio que abriga a sua sede nacional, em Brasília. Parte da equipe da emissora será montada por meio da ampliação do atual quadro de funcionários na área de comunicação. Mas uma parcela do conteúdo será produzida por meio de um contrato de terceirização com uma empresa especializada. O plano é iniciar as transmissões, ainda num formato mais tímido, entre novembro e dezembro.

Até o fim deste ano, a expectativa da direção partidária, é de gastar R$ 150 mil na iniciativa. O montante, de acordo com petistas, servirá apenas para "dar a largada" no projeto. A próxima direção da sigla, que será escolhida na eleição interna agendada para novembro, vai definir os valores que serão aplicados no projeto durante o ano eleitoral e dali em diante.

MÍDIA

A aposta ocorre após décadas de embate entre o PT e a mídia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva costuma se queixar da atuação da imprensa e da cobertura que os meios de comunicação dão ao governo. Lula já declarou, por exemplo, que a leitura dos jornais lhe causa azia. Na semana passada, em entrevista à agência francesa de notícias AFP, ele voltou a tocar no assunto, ao comentar o fechamento de emissoras de rádio na Venezuela. Disse ter nascido na política "brigando com as informações da imprensa".

O PT informa não ter a pretensão de fazer frente aos meios de comunicação, mas vê na televisão pela internet uma forma de mostrar sua versão. "Não temos a ilusão de que este canal vá permitir um contraponto. Mas, pelo menos, ele existirá. Será uma forma de tornar pública a nossa versão dos fatos para quem quiser saber", diz o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Envolvido nos preparativos para a montagem do novo estúdio, o secretário de Finanças do PT, Paulo Ferreira, diz que a reorganização financeira comandada pelo partido desde 2005 abriu espaço no caixa para a empreitada. Desde o escândalo do mensalão, a sigla refinanciou uma dívida que alcançava a casa dos R$ 50 milhões.

"É uma opção política que fizemos. Poderíamos perfeitamente optar por investir em outra coisa, em seminários, eventos", argumenta o tesoureiro. "Queremos dar um salto na comunicação do PT com seus filiados e a sociedade em geral."

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