Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

PT vai acionar Barusco na Justiça e questiona força-tarefa da Lava Jato

Presidente do partido cobra investigação de suspeitas no governo FHC e chama Barusco, que relatou propina à sigla, de ‘bandido’

Ricardo Galhardo e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2015 | 17h04

Atualizado às 23h00

São Paulo - Acuado por acusações de receber dinheiro do esquema de corrupção da Petrobrás, o PT decidiu sair das cordas e partiu para o contra-ataque. O presidente nacional do partido, Rui Falcão, anunciou nesta quarta-feira, 11, cinco medidas contra a força-tarefa da Operação Lava Jato e contra delatores do esquema. O partido pede que indícios de corrupção no governo do PSDB também sejam investigados.

No alvo do PT estão o ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco, que acusou a sigla de ter recebido US$ 200 milhões do esquema, além de delegados da Polícia Federal e procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato. O PT questiona o fato de a operação restringir o foco aos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, apesar de indícios de que o esquema teria começado no governo Fernando Henrique Cardoso.

O juiz da 15.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Sérgio Moro, foi estrategicamente poupado de ataques públicos, embora internamente também seja criticado. O PT chegou a cogitar representações contra os advogados dos réus que fizeram delações premiadas, mas desistiu da ideia. 

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Segundo Falcão, as ações não significam uma tentativa de cercear as investigações, e sim um esforço para evitar a “criminalização” do partido, a fim de tirá-lo do jogo político. 

Ação. O dirigente chegou a chamar Barusco de “bandido” ao anunciar que ele será interpelado civil e criminalmente para dizer a quem teria pago os US$ 200 milhões em propinas. Falcão negou “cabalmente” que doações feitas ao PT tenham sido fruto de triangulação com empreiteiras contratadas pela estatal. “Se disserem que a gente recebeu dinheiro de propina, é porque todos os demais (partidos) também receberam.”

Além da ação contra Barusco, o PT decidiu enviar duas representações à direção-geral da PF. A primeira pede abertura de sindicância para averiguar vazamentos. A segunda questiona o fato de os policiais não terem feitos perguntas a Barusco sobre o PSDB, embora o ex-gerente tenha dito que recebia propinas desde 1997. O partido também cita reportagem do Estado que revelou postagens de teor antipetista feitas por delegados da PF em redes sociais.

A quarta ação é endereçada ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Além de questionar o critério para designação dos procuradores da Lava Jato, o partido quer saber se partiu do Ministério Público Federal ou da PF a restrição das perguntas dos interrogatórios aos governos Lula e Dilma.

Por fim, o PT decidiu acionar o ministro da Justiça, o petista José Eduardo Cardozo, para que tome as medidas que “julgar necessárias no âmbito do cargo”. 

Todas as ações fazem parte da estratégia do PT de levar a oposição para o centro do escândalo. Nesta quarta, o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (PT-AC), entregou representação à Procuradoria-Geral da República para que a Lava Jato investigue possíveis crimes cometidos antes de 2003. “Para fazer uma investigação à luz do dia que de fato ponha as cartas na mesa, não se pode omitir absolutamente nada. Qualquer omissão numa hora dessa gera muitas desconfianças.”

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