Alex Falcão/Futura Press
Alex Falcão/Futura Press

PT vai à TV dizer que expulsará condenados pela Justiça

Medida foi decidida em resolução aprovada pelo diretório nacional em novembro passado como resposta ao sentimento antipetista

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2015 | 16h28

São Paulo - Em propaganda partidária gratuita no rádio e na TV, o PT vai anunciar na noite desta terça-feira, 5, que filiados da legenda que forem condenados pela Justiça serão expulsos. A medida, determinada por resolução aprovada pelo diretório nacional em 29 de novembro de 2014 como resposta ao sentimento antipetista verificado nas eleições do ano passado, difere da conduta adotada pela sigla após as condenações do processo do mensalão, quando o julgamento foi tachado por dirigentes e militantes como "político".

No programa de 10 minutos que será transmitido às 20h pelas rádios e às 20h30 pelas TVs, o anúncio da nova conduta será feito pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão. O dirigente afirma na gravação que "qualquer petista que cometer malfeitos e ilegalidades não continuará nos quadros do partido". Sem citar nomes ou casos específicos, Falcão diz que "por isso também o PT não aceita que alguns setores da mídia queiram criminalizar todo o partido por causa de erros graves de alguns filiados". 


Falcão não faz nenhuma menção aos condenados no mensalão, como o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do partido José Genoino ou o ex-tesoureiro Delúbio Soares, todos ainda filiados ao PT. Em declarações no passado, o próprio dirigente chegou a afirmar que o julgamento do Supremo Tribunal Federal havia sido "político".

Após a declaração do atual presidente do PT, um ator surge no vídeo para reforçar a mensagem. "Você ouviu: qualquer petista que ao final do processo foi julgado culpado será expulso. Mas precisamos ter consciência que há integrantes de vários partidos investigados, inclusive de oposição. E a justiça tem que ser feita para todos, não só do PT", diz o profissional. 

Em seguida, o programa apresenta como solução para o combate da corrupção a extinção do financiamento empresarial de campanha. A proposta - restrita aos diretórios nacional, estadual e municipais mas não extensa aos candidatos - foi aprovada em reunião do diretório nacional do partido em abril e deverá ser referendada no 5º Congresso Nacional que a legenda fará em junho. No filme, o PT conclama todos os partidos a não mais aceitarem doações de empresas.

No programa partidário, o PT reafirma o discurso de que foram durante os governos petistas que a Polícia Federal e o Ministério Público tiveram autonomia para investigar casos de corrupção. Por duas vezes é citada a frase de que, neste período, “pessoas importantes foram investigadas e presas” por corrupção.

A peça publicitária usa um mote semelhante ao usado no ano passado em programas da então candidata petista à reeleição, Dilma Rousseff, quando foi utilizado o tema “fantasmas do passado”. Na peça que vai ao ar nesta terça, o PT se apresenta como única solução na luta “contra um país injusto do passado”.

É neste momento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece se posicionando contra o Projeto de Lei 4.330, aprovado recentemente na Câmara, que propõe ampliar as possibilidade de terceirização para as atividades-fim das empresas.

“A jornada de trabalho de oito horas, as férias, o 13º salário, as aposentadorias, nada disso caiu do céu. Tudo o que os trabalhadores têm hoje foi duramente conquistado ao longo de gerações. Por isso, não podemos permitir que esta história ande para trás. É isso que vai acontecer se for aprovado o Projeto de Lei 4.330”, diz Lula no vídeo. Ele completa dizendo que o projeto faz o Brasil retornar ao que era no início do século, um tempo em que o trabalhador era um cidadão de terceira classe, sem direitos”

A participação da presidente Dilma Rousseff na peça publicitária é discreta. Ela aparece rapidamente apenas em algumas imagens enquanto o narrador exalta investimentos do governo em infraestrutura. A exemplo do que decidiu sobre o Dia do Trabalho para evitar panelaços, Dilma não gravou pronunciamento para o vídeo partidário do PT.

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