PT vai à Justiça para reaver mandato de Soninha em SP

A Executiva Municipal do PT em São Paulo decidiu que vai entrar na Justiça para recuperar o mandado da vereadora Soninha Francine, que deixou o partido no último dia 27 de setembro e passou a integrar os quadros do PPS, legenda pela qual deve concorrer à Prefeitura da capital paulista em 2008. Soninha foi eleita nas eleições de 2003 e caso a Justiça aceite a solicitação do PT, o mandato deve ser assumido pelo primeiro suplente da legenda, o médico Rubens Calvo, 16.º candidato mais votado.Segundo o vereador Paulo Fiorillo, que preside o Diretório Municipal do PT em São Paulo, o partido deve aguardar a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o rito processual para a retomada dos mandatos. "Vamos aguardar essa decisão e, em seguida, nossa assessoria jurídica iniciará o processo para a recuperação do mandato", disse ele.A decisão segue a orientação do presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), que anunciou na última sexta-feira que os diretórios municipais e estaduais de todo o País deveriam entrar na Justiça para retomar os cargos que havia perdido no troca-troca de legendas. No mesmo dia, o STF decidiu que os partidos têm direito a recuperar os mandatos que perderam em função de mudanças partidárias após o dia 27 de março.Livre associaçãoSoninha ressaltou que embora o STF tenha decidido que o mandato pertence ao partido, reconheceu que as pessoas têm direito à livre associação e não podem ser obrigadas a permanecer em um partido com o qual não se identificam mais. "O STF admitiu que algumas saída são justificadas, que em algumas situações, há bons motivos para deixar um partido ", disse. A vereadora afirmou que por diversas vezes divergiu das orientações do PT nos âmbitos nacional e municipal nos últimos três anos. "As divergências são naturais, fazem parte da política, mas depois que elas se acumulam a tal ponto, chega-se à conclusão de que você está no lugar errado. Ficou evidente que aquele não era mais o meu partido", explicou."O partido mudou e é natural mudar, mas saiu de uma posição inicial, de intransigência absoluta em relação a alianças, para o extremo oposto. Hoje é superpermissivo, e estamos cedendo cargos para o PP. Não podemos ser tão intransigentes e nem tão concessivos. Mudamos demais, deve haver limites", exemplificou.

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