PT vai à China aprender com comunistas

Grupo quer verificar como o PC, com 72,4 milhões de filiados, organiza sua estrutura e a área de comunicação

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2007 | 00h00

Onze dirigentes do PT passarão dez dias na China, a convite do Partido Comunista daquele país. Liderada pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), a comitiva embarcará na segunda-feira para Pequim, só retornando ao Brasil no dia 20. A menos de três meses das eleições diretas para renovar sua direção, o PT está interessado em verificar de perto como o PC chinês, com 72,4 milhões de filiados, organiza sua estrutura e a parte relativa à comunicação.Apesar da penúria financeira provocada pela dívida de R$ 48 milhões - rombo dos tempos em que a cúpula terceirizou as finanças do partido -, o PT pagará as passagens de seus dirigentes para Pequim. Os chineses, por sua vez, arcarão com as despesas de alimentação, hospedagem e transporte."É um investimento político", disse o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, ao justificar os gastos. "Não é um passeio, como aqueles que dirigentes do PSDB e do DEM fazem, para conhecer a Broadway, em Nova York", provocou.Berzoini contou que a pauta da viagem é diversificada. "Temos interesse em discutir diversos assuntos, como a formação política de nossos dirigentes e até o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)", explicou.As missões petistas à China estão previstas no protocolo de cooperação assinado entre o PC chinês e o PT em 2004, na gestão do então presidente do partido, José Genoino, hoje deputado processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no rastro da crise do mensalão. Genoino deixou a presidência do partido em julho de 2005.O protocolo prevê o intercâmbio de informações, com visitas anuais de delegações dos dois partidos. "Estamos em débito, porque não fomos lá nem em 2005 nem em 2006, enquanto os chineses vieram todos os anos para cá. A chance é agora", disse Pomar. Candidato à presidência do PT pela corrente Articulação de Esquerda, ele avalia que a ida à China tem "dimensão estratégica".O roteiro começa em Pequim, passa por Xangai e inclui várias outras cidades, para que os convidados conheçam de perto o comunismo pragmático. "Qualquer política externa séria tem de levar em consideração o papel dos chineses", disse o secretário de Relações Internacionais do PT. "Além disso, temos todo o interesse em saber como o PC chinês organiza sua estrutura e a comunicação com seus militantes." JOVENSNa preparação para a viagem, uma curiosidade chamou a atenção dos petistas: enquanto o PT, com cerca de 1 milhão de filiados, enfrenta o envelhecimento de seus militantes, o PC chinês consegue se manter jovem.Do ano passado até hoje aumentaram tanto a proporção de filiados com menos de 35 anos como o ingresso de mulheres no partido. Dados do Departamento de Organização do Comitê Central indicam que os pedidos de filiação ao PC da China superaram 19 milhões em 2006 - um crescimento de 6,8% em relação ao ano anterior.

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