PT usa Lula para falar da crise em Campinas e afastar Pochmann do caso

Ex-presidente aborda escândalos de corrupção na cidade na inserção inédita e apresenta Pochmann como solução

Ricardo Brandt, de O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2012 | 18h25

O PT usou nesta terça-feira, 11, imagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para abordar a crise na Prefeitura de Campinas (SP) - que levou 11 pessoas para a prisão e provocou a cassação de dois prefeitos, um deles petista - e seu impacto na campanha do candidato Márcio Pochmann. Em um depoimento inédito gravado, de pouco mais de um minuto, Lula abre o programa eleitoral do candidato e traz a questão à tona.

"Meus amigos e minhas amigas de Campinas, eu sei que vocês estão magoados com a política. Aliás, eu sei que vocês estão ressentidos com a política, depois dos últimos acontecimentos em Campinas", cita o ex-presidente, numa das poucas menções que o PT colocou em seus programas até agora dos escândalos de corrupção e desvios de recursos durante o governo Hélio de Oliveira Santos (PDT). Lula então questiona sobre então o que fazer: "desanimar, não votar?". "Em meio as grandes crises, sempre aparece uma grande solução", diz ele para depois apontar Pochmann como aquele que vai "recuperar a autoestima do povo campineiro".

A crise tem dominado a campanha em Campinas. Do líder na última pesquisa, Jonas Donizette (PSB), com 50% das intenções de voto, ao atual prefeito, Pedro Serafim (PDT), com 12% e do mesmo partido de Hélio, aos nanicos, todos têm usado as denúncias de corrupção e desvios de recursos na prefeitura como mote para pedir o voto do eleitor.

O PT - que teve o vice-prefeito Demétrio Vilagra envolvido no escândalo e cassado em dezembro, após assumir o governo em agosto de 2011 - tenta dissociar a imagem de Pochmann do escândalo. Segundo o coordenador de campanha, Renato Simões, o partido confia nas explicações de Vilagra, que está se defendendo na Justiça, mas vai deixar claro que Pochmann é uma figura que "não tem compromisso com nada que possa ter sido feito de errado". "Todos sabem que o PT nunca fez parte do núcleo de decisões do governo Hélio."

Para isso, a campanha usou a força de seu cabo eleitoral mais ilustre, o ex-presidente Lula, que indicou pessoalmente o nome de Pochmann para a disputa em Campinas. É o terceiro depoimento de o ex-presidente que vai ao ar. Nos outros dois, ele apenas pede e declara apoio ao candidato.

Na nova fala, Lula afirma que o eleitor sabe quem é o candidato "demagogo", o "populista" e o que "fala com seriedade", para apontar Pochmann como a pessoa "que pode recuperar o gosto de Campinas pela política" e "a autoestima do povo campineiro".

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