PT transforma cerimônia no Planalto em ato de apoio a Lula

Petista e governadora do Pará, Carepa atribui às elites as vaias que o presidente vem recebendo

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

03 de agosto de 2007 | 15h17

O PT transformou a solenidade de anúncio de investimentos em saneamento básico e urbanização, no Palácio do Planalto, em um ato de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem recebido vaias, nos últimos dias, em viagens ao País. Foi em discurso de dois petistas, os únicos, aliás, a falar na cerimônia.  Veja também:  Lula anuncia verba de R$ 6,8 bilhões para saneamento e favelas A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, associou as vaias às elites. "Não se vê as elites colocando em prática uma campanha para reverter a miséria", afirmou. "Nós falamos em nome do nosso povo e o povo te aplaude, presidente", acrescentou.  Já o prefeito de Porto Velho, Roberto Eduardo Sobrinho, convidou Lula para ir a Rondônia. "O senhor jamais receberá uma vaia no nosso município. Não vamos ter traíras", disse. Também participaram da solenidade os governadores do Espírito Santo, Amazonas, Roraima, Rondônia, Tocantins, Alagoas, Amapá, Santa Catarina, Goiás, Maranhão e do Distrito Federal. Em seu discurso, apesar do bom humor, o presidente não deixou de criticar o que ele chamou de "gloriosa imprensa" que, segundo ele, "resiste" em compreender os critérios técnicos usados pelo governo para distribuir os recursos públicos. Na avaliação do presidente, o PAC, lançado em janeiro, mudou o padrão de governabilidade no País, facilitando a vida de governadores e prefeitos e acabando com as "filas burras" dos empréstimos para estados e municípios.  Também  nesta sexta-feira, Lula aproveitou a divulgação de dados sobre a indústria brasileira para criticar os "pessimistas" com o País: "O cara diz que precisa comer o ovo, mas fica torcendo para a galinha não botar o ovo", criticou. Promessas  Lula destacou os investimentos feitos pelo governo na área de saneamento. Os recursos anunciados nesta sexta-feira, 3, já estão contemplados no Programa de Aceleração do Crescimento e prevê um total de 6,9 bilhões, sendo 5,9 bilhões do governo federal em obras em cidades com mais de 150 mil habitantes. Lula criticou, mais uma vez, seus antecessores, pela falta de investimentos na área e disse que o Tesouro Nacional usava esses recursos para fazer superávit. Lula também criticou prefeitos que não priorizam obras de saneamento em suas cidades. "Saneamento básico não faz parte da cultura administrativa do nosso país. E ironizou: "não há prefeito que consiga colocar o nome de um parente na manilha", referindo-se à prioridade dada pelas prefeituras a obras mais visíveis.  O presidente brincou, também com a política de contenção de despesas adotada por alguns governos. "Eu não sei que diabo que é que essas pessoas gostam tanto de ter dinheiro debaixo do travesseiro. Mas todo tesoureiro é assim. Em vez de dizer que melhorou a vida das pessoas, todo mundo quer carregar o status de que 'eu fui o que mais economizei'", disse o presidente.  Segundo ele,os maiores problemas sociais hoje, no País, estão nas periferias das grandes cidades, definidas pelo presidente como o "centro nervoso da sociedade". "É nesse espaço que as pessoas disputam lugar com ratos e baratas", afirmou. O presidente prometeu aos prefeitos agilidade no repasse dos recursos do PAC. Ele disse que espera que até fevereiro as obras sejam iniciadas e ainda brincou com a presidente interina do Banco do Brasil, Clarice Coppetti, presente na solenidade para assinar convênio com as prefeituras. "Se a companheira Clarice não der conta, eu despacho ela para o Rio Grande do Sul. Eu só não posso despachar o José Alencar", disse o presidente, referindo-se ao vice-presidente.

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