PT traça planos de defesa do governo, diz João Paulo

O presidente da Câmara dos deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), garantiu que entre os objetivos centrais da reunião que o partido realiza hoje na capital paulista estão a tentativa de traçar uma ação unitária da legenda em defesa do governo. "A idéia é avaliar a situação, admitir eventuais erros e olhar para frente, pois o Brasil espera isso", acrescentou.Na opinião de João Paulo, os efeitos do escândalo Waldomiro Diniz sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverão ser residuais. Ele acredita que nas eleições municipais deste ano o que as pessoas levarão em conta são as propostas que poderão mudar os rumos de suas cidades. "As dificuldades deste momento serão superadas, sou otimista e acredito que o povo brasileiro saberá separar o joio do trigo", considerou.Chinaglia admite que partido sofre desgaste por ser contra CPIJá o líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), reconheceu que o partido sofre um desgaste público por ser contra a criação das CPIs dos bingos e do caso Waldomiro Diniz. "Como sempre os deputados e senadores do PT batalharam para que todas as investigações chegassem até o fim no Congresso, exigindo CPIs. A sociedade pode entender que neste momento todos os mecanismos utilizados para a investigação do caso, com atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, assim como a CPI criada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, sejam insuficientes", afirmou, ao chegar à sede do PT, em São Paulo, para participar de reunião nacional do partido. "Acredito que no futuro o PT não deverá pagar além do que já está pagando neste momento", complementou.Chinaglia argumentou que a diferença da atuação passada do partido, quando estava na oposição, e a recente, no poder, reside no fato de que quando pedia CPI, o PT apresentava "fatos, provas e relação entre fatos e pessoas". "Com autoridade que temos, avalio que esse preço que pagamos hoje ficará menor no futuro quando a população perceber que o governo levou as investigações até as últimas conseqüências", argumentou, ao lembrar que a uma CPI só cabe, na sua avaliação, a quebra de sigilos fiscal e telefônico, que posteriormente são encaminhados ao Ministério Público Federal.Ao ser indagado se a criação da CPI no Rio não fortaleceria a tese de instauração pela CPI nacional, Chinaglia respondeu: "Não queremos dar dimensão nacional para um episódio que aconteceu localmente no Rio de Janeiro. Waldomiro Diniz era um assessor do governo, que tem poder de decisão e não conseguiu realizar seus intentos dentro do governo. A medida provisória que proíbe os bingos e máquinas de caça-níqueis não deixa dúvida disso", opinou.Eleição municipalNo encontro que acontece na sede do PT em São Paulo, também será debatido o início das discussões do partido sobre a eleição municipal desse ano. Também participam, além de João Paulo e Shinalia, o presidente nacional da legenda, José Genoino; o prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva; o líder do governo no Senado, Aloízio do Mercadante; e da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Não há previsão para o término do encontro.

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