PT traça estratégia para defender relatório

Diante da perspectiva de aumento da pressão dos grupos contrários à reforma da Previdência, principalmente os que representam os servidores públicos, o Judiciário e o Ministério Público, o PT e os partidos aliados ao governo vão reunir-se terça-feira e traçar a estratégia de luta para impedir novas mudanças no texto. O PT quer fechar questão a favor do relatório do deputado José Pimentel (PT-CE). Dessa forma, pode fazer do partido um bloco unitário a favor da reforma. Mesmo assim, não deve ter o voto dos dissidentes João Batista Araújo (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE), todos sob risco de expulsão.A pressão do Judiciário começa a tomar corpo amanhã, quando as principais entidades ligadas às categorias do Judiciário se reúnem para votar se paralisam ou não seus trabalhos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou que não vai ceder mais. Seus líderes o repetem. "Daqui para a frente não muda nada. Todo o nosso esforço será para aprovar o relatório do jeito que está", afirma o deputado Professor Luizinho (PT-SP), vice-líder do governo.O deputado Carlito Merss (PT-SC) acha que uma forma de tentar evitar a radicalização da disputa do governo com o Judiciário e com os servidores seria a retomada do diálogo com esses setores. "Temos de mostrar a eles que, se aprovarmos a reforma da Previdência sem a integralidade e a paridade das aposentadorias para os futuros servidores, estaremos dando condição para que a República seja restituída no Brasil", argumenta.DisputaO deputado Paulo Bernardo (PT-PR), da tropa de choque do governo, acha que continuará a haver muita disputa em relação aos pontos polêmicos. "Está claro que o problema diz respeito à questão do subteto para o Judiciário (vencimento de 75% do salário do Supremo Tribunal Federal para o desembargador), ao teto da pensão de R$ 1.058 e à questão da paridade, que será definida em lei a ser enviada pelo governo ao Congresso."Bernardo acredita que, para melhorar o diálogo, o governo poderia ser mais claro em relação à paridade. "É preciso dizer como será, porque tem muito servidor pensando que poderá limitar-se ao salário-base. E isso sabemos que os servidores não aceitam", diz.

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