PT tenta reeditar em São Paulo polarização Lula-FHC, diz analista

A consultora do Grupo Estado para análises eleitorais, Fátima Pacheco Jordão, acredita que o PT está tentando reproduzir nas eleições municipais de São Paulo a polarização Lula/Fernando Henrique, da eleição presidencial de 2002. "A candidata Marta Suplicy (PT) continua colando sua imagem à do presidente Lula porque o PT tem a estratégia de reeditar uma polarização que lhes foi favorável", disse em entrevista à Agência Estado. Ela pondera, porém, que essa estratégia pode não ser bem sucedida porque o eleitor, num pleito municipal, está mais preocupado com as questões da cidade. Fátima observa que o PT resolveu adotar a utilização da imagem de Lula neste momento porque o governo federal tem conseguido criar expectativas positivas para os brasileiro, principalmente no campo econômico. "As pessoas acham que, daqui a seis meses, haverá melhoria em questões importantes, como na renda", afirmou. Apesar da análise, ela continua afirmando que o presidente Lula não tem grande poder de transferência de voto. Fátima contesta a análise da pesquisa CNT/Sensus (divulgada ontem), mostrando que Lula influencia o voto de 40,4% dos eleitores. "Isto é uma questão de leitura de pesquisa. Há um dado que diz: ´você votaria com certeza em um candidato do Lula?´ E esta reposta obteve, apenas, 15%, contra 40% dos que poderiam vir a votar em um candidato do presidente", assinalou. AcusaçõesSegundo Fátima, as recentes acusações do candidato Paulo Maluf (PP) contra José Serra (PSDB) têm surtido efeito nas pesquisas, diminuindo para cerca de 10% a diferença nas intenções de votos entre Marta e Serra no segundo turno. "As pesquisas estão captando com alguma clareza que diminuiu o número de eleitores de Maluf que votaria em Serra em um eventual segundo turno", destacou. A consultora disse, ainda, que o debate que será realizado pela Rede Globo , às 22 horas de amanhã, terá papel decisivo. "Pesquisa Sensus diz que 1/4 dos eleitores escolhe seu candidato pelos debates ou pelo contato pessoal entre amigos e familiares. O debate é visto como um "momento verdade", em que todos os candidatos estão sem maquiagem. É no debate que o eleitor espera uma surpresa, um gesto, uma palavra ou até, maliciosamente, que também haja um deslize". Disputa sangrenta Fátima prevê uma grande emebate no segundo turno das eleições municipais na Capital. Ela concordou que a disputa poderá ser "sangrenta", baseada no forte tiroteio e no aumento das denúncias já presentes na campanha nesta reta final do primeiro turno. Além da polarização de segundo turno, Fátima observou ainda que o ataque é uma tática perigosa. "O eleitor rejeita porque quando um candidato ataca o outro, a interpretação que o eleitorado faz é que o candidato está olhando para o outro, sem olhar para o próprio eleitor. Ou seja, eles estão disputando espaço entre eles e não com o eleitor", avaliou.A mais recente pesquisa Ibope, nas repostas espontâneas apurou que há ainda uma margem importante de indecisos (20%), mas apenas 5% entre maior escolaridade/alta renda e 26% na baixa renda. Segundo a consultora, esse eleitorado de baixa renda depende muito de informação de última hora. Por isso, ela acredita que episódios de apelo emocional podem ajudar a definir o voto dos indecisos e o debate que a Rede Globo será um fator importante. Deficiente Ao falar nos episódios de apelo emocional, Fátima citou, especificamente, o outdoor apócrifo espalhado em alguns pontos da cidade que reproduz os ataques feitos pelo candidato do PP, Paulo Maluf, ao tucano José Serra. No horário eleitoral de Maluf foram exibidas imagens do deficiente físico Alexandre Arêas, acusando Serra de não ter honrado uma dívida da campanha presidencial de 2002. A Justiça Eleitoral concedeu direito de resposta ao tucano.Em contrapartida aos ataques que vem recebendo, a consultora destaca que o tucano José Serra poderá se beneficiar do direito de resposta que ganhou da Justiça Eleitoral. Ela lembra que hoje será exibido o último programa eleitoral em cadeia de rádio e televisão. E os últimos programas são acompanhados atentamente eleitores que ainda não decidiram seu voto. Fátima também comentou a avaliação feita nos bastidores do PT de que se Marta conseguir reduzir para 6% sua com o tucano José Serra no segundo turno, o prefeita terá mais chances de se reeleger. "De fato, se a margem entre eles cair a este patamar, o quadro ficará bastante indefinido e teremos que contar votos um a um no dia das eleições."

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