PT tenta reduzir impacto de apoio ao parlamentar

Bancada de senadores da legenda se reúne hoje para atender a Lula, mas busca saída para evitar desgaste

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2009 | 00h00

A bancada petista no Senado insiste na tentativa de atender a dois senhores - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a opinião pública. Hoje os senadores do PT devem se reunir para cumprir a orientação presidencial de apoiar a permanência do senador José Sarney (PMDB-AP) no cargo de presidente do Senado, ao mesmo tempo que mantêm o discurso de que a licença do peemedebista seria a melhor saída para a crise naquela Casa.Além de argumentar que a licença é uma decisão pessoal, que não pode ser imposta, a bancada deve repetir que nunca defendeu a renúncia de Sarney. Também dirá que exigirá dele o compromisso com a reforma do Senado. Temerosos do impacto negativo dessa atitude, no entanto, os senadores querem dividir as responsabilidades com a direção partidária. É por isso que os membros da Executiva Nacional, a começar pelo presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), estão sendo chamados para a reunião com os senadores."Estamos chamando o Berzoini e quem mais da executiva puder vir. A crise impõe que possamos dividir isto (a responsabilidade pela decisão) entre o governo, a bancada e o partido", explicou o senador João Pedro (PT-AM). Está quase acertado que, antes do anúncio da decisão, o líder da bancada, Aloizio Mercadante (SP), fará um relato da conversa de Sarney com Lula, na quinta-feira. Os petistas querem detalhes do encontro, quando Sarney anunciou a disposição de continuar no cargo, desde que tenha o apoio do PT e da base governista.Os petistas concordam com o presidente Lula, para quem a renúncia de Sarney seria a pior solução. Mas Mercadante não abre mão de expressar a posição majoritária da bancada, favorável a um período de licença do presidente do Senado, até que as responsabilidades pelas irregularidades que estão sendo divulgadas sejam apuradas e os responsáveis, punidos. O senador Paulo Paim (PT-RS) lembrou que Mercadante já fez questão de dizer a Lula que, se não pudesse conduzir a bancada com autonomia, preferia renunciar. "Você vai renunciar ao mandato de senador só por causa disso?", teria dito o presidente da República, em tom de brincadeira. Mercadante então esclareceu: "Renunciaria à liderança, presidente."Lula e a maioria dos petistas entendem que, se Sarney sair, não haverá substituto no PMDB capaz de aglutinar a bancada em torno dele e do governo. O senador João Pedro confessa que o dilema está entre administrar o "desconforto" de todos, com a crise moral por que passa o Senado, e o risco de deixar um primeiro vice-presidente tucano - Marconi Perillo (GO) - na cadeira de Sarney. "Nos cinco minutos em que ele ficou na presidência, três CPIs foram lidas: da Petrobrás, da Amazônia e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte", disse.

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