PT tenta reaver mandato de Soninha em SP

Vereadora migrou para o PPS em setembro, com a intenção de disputar prefeitura no ano que vem

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O Diretório Municipal do PT em São Paulo protocolou no fim da tarde de ontem uma representação junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) para reaver o mandato da vereadora Sonia Francine (PPS-SP), a Soninha. Depois de integrar o PT desde que se lançou na política, a apresentadora de televisão migrou em setembro para o PPS, já como pré-candidata do partido à Prefeitura de São Paulo na eleição do ano que vem. Em um documento de 45 páginas, o PT argumentou junto ao tribunal que não houve causa que justificasse o desligamento da vereadora. O partido se apoiou, por exemplo, em um relatório de votações da vereadora na Câmara Municipal, que indica em todas as ocasiões uma posição coincidente com a da bancada petista. "São mais de 40 páginas que mostram que nunca houve nenhuma diferença ideológica entre ela e o PT que justificasse a saída", afirmou o presidente municipal do partido, Paulo Fiorilo.Soninha tem apenas pouco mais de um ano de mandato a cumprir na Câmara paulista. Ainda assim, o PT argumenta que a retomada da vaga é "fundamental para a democracia representativa do País e para o pleno desenvolvimento dos partidos e de suas ideologias". No texto encaminhado ao TRE-SP, a legenda afirma que a saída de Soninha visa inclusive a "enfraquecer a bancada do partido na Câmara Municipal".O texto do PT é guiado em parte pelo argumento de que, dentro do partido, sempre existiu o conceito de fidelidade partidária. "Há a consolidada compreensão que o mandato é entendido como algo coletivo, como instrumento de ação e construção partidária e o filiado, ao ser candidato, assina a Carta Compromisso, em que se compromete formalmente a renunciar do mandato que ocupa e pelo qual foi eleito pelo PT, caso desfilie-se do mesmo", afirma o documento. O partido alega ainda que a saída de Soninha ocorreu de forma "repentina", apesar de a vereadora sempre ter sido "estimada" dentro da sigla. "Árdua defensora do PT e de seus membros na tribuna da Câmara Municipal veio a integrar os quadros do PPS, um partido pré-existente, após um convite para que fosse candidata ao executivo municipal, sem que houvesse manifestado qualquer descontentamento ou, ainda, sem que sofresse qualquer perseguição à sua pessoa. Nunca sofreu qualquer censura ou demonstrou qualquer descontentamento", prossegue a representação.?CONTRARIADA?Soninha apresenta outra versão. Apesar de reconhecer que sempre votou junto com a bancada do PT, a vereadora insistiu em que, em diversas ocasiões, o fez a contragosto. "O PT sabe muito bem quantas vezes eu acompanhei a bancada contrariada", afirmou a vereadora. Ao comentar a representação, Soninha disse que terá a chance de se defender na Justiça das alegações de seu ex-partido. Apesar de reconhecer que a polêmica em torno de seu mandato ajuda a criar um cenário negativo, ela disse acreditar que a representação não interferirá em sua candidatura na eleição do ano que vem. "Não acredito que as pessoas vão mudar de idéia por causa disso", declarou. Segundo ela, os eleitores que a acusam de ter "traído o PT" o farão independentemente disso. Por outro lado, ela acredita que, no PPS, terá a oportunidade de ganhar votos ao apresentar livremente suas posições.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.