PT tenta levar crise dos cartões ao PSDB

Tática para defender governo Lula é atacar os gastos dos tucanos

Denise Madueño e Felipe Recondo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2008 | 00h00

Reunidos sábado em Brasília, petistas adotaram um discurso de ataque ao PSDB para defender o governo Lula das denúncias do mau uso dos cartões corporativos. Em tom de desafio, petistas afirmaram que o governo do tucano José Serra em São Paulo gasta muito com os cartões e não tem transparência na prestação de contas. Em 2007, o Estado gastou R$ 108,4 milhões por este sistema.A crise dos cartões foi um dos pontos discutidos na posse do Diretório Nacional e eleição da Executiva. Para os petistas, PSDB e DEM querem montar uma crise e usar politicamente "erros administrativos" na utilização dos cartões para deixar o governo Lula sob suspeição permanente."O PT deve denunciar a ação demagógica e pseudomoralista intentada por setores reacionários que, a todo preço e com evidente má-fé e hipocrisia, procuram transformar essa questão em gigantesca crise política que desgaste a imagem do governo do presidente Lula perante a opinião pública", diz nota do diretório. "No campeonato de combate à corrupção, nosso governo ganha", afirmou ontem o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). "Meu desafio é que o PSDB monte um site para divulgar os gastos feitos pelo governo de São Paulo."O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), adotou a tática de puxar o PSDB para o foco das atenções sempre que questionado sobre os gastos do governo Lula. "Queremos que tudo seja investigado. Tanto que estamos fazendo uma CPI. Esperamos que outros governos também proponham uma CPI." Na sexta-feira, o governo Serra anunciou que disponibilizará na internet a partir de maio todos os dados de gastos com os cartões de débito do Estado.Os tucanos acusam o PT de "criar confusão na opinião pública, tratando questões diferentes como se fossem iguais" e "tentar justificar seus abusos com a idéia de que os outros partidos também os cometem".

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