PT tenta criar 'rede de proteção' para descolar Dilma da lista da Lava Jato

Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou nesta sexta-feira a lista de políticos que serão investigados no caso envolvendo a Petrobrás

Vera Rosa e Gabriela Lara, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2015 | 21h10

 SÃO PAULO - O governo e a cúpula do PT tentam criar uma rede de proteção para evitar que o escândalo na Petrobrás grude na imagem da presidente Dilma Rousseff e abale ainda mais o partido, já desgastado com sucessivas acusações de corrupção. No Palácio do Planalto, a ordem é não entrar no mérito das investigações e produzir uma "agenda positiva" para Dilma, com o objetivo de se contrapor ao terremoto político. No PT, a estratégia prevê repetir à exaustão que toda denúncia precisa de prova e adotar a tática do enfrentamento com o PSDB.

O ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, admitiu nesta sexta-feira que a lista de políticos enviada ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, provocará "algum grau" de instabilidade" no Congresso, mas disse esperar que todos tenham a oportunidade de se defender.

"O Brasil não vai parar porque tem uma investigação em curso. Esta é a questão central", afirmou Vargas. "Se alguém cometeu algum ato ilícito vai pagar, mas também é importante que se faça justiça com quem for absolvido."

O presidente do PT, Rui Falcão, tem dito que a lista de Janot não servirá de parâmetro para punições no partido, mesmo com a citação de petistas no esquema de desvio de dinheiro na Petrobrás.

"Envolvimento comprovado (em irregularidades) não é citação em lista de Janot", argumentou Falcão no último dia 26, após reunião da Executiva Nacional do PT. "Ninguém pode ser considerado culpado sem direito ao contraditório, ao devido processo legal. Uma menção a alguém não significa que ele é culpado. É preciso uma prova cabal."

Para o  ministro da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, o PT é "muito maior" do que qualquer desvio cometido por filiados. "O partido terá postura absolutamente rigorosa diante de qualquer malfeito",  insistiu Rossetto.

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