PT tem no mínimo R$ 50 milhões para eleição municipal

Para cumprir a meta de pelo menos dobrar o número de prefeituras administradas por petistas, hoje perto de 200, o PT se prepara para iniciar em julho uma campanha de números grandiosos, voltada prioritariamente para as capitais e grandes cidades. A primeira campanha eleitoral do PT após a eleição de Lula já começa com vantagem financeira em relação aos outros partidos, pois tem orçamento fixo neste ano, fora as doações, de quase R$ 50 milhões. São recursos garantidos pelo Fundo Partidário e pelas contribuições que os filiados são obrigados a pagar mensalmenteA presença do PT nas eleições municipais será marcada por outros números recordes na sua história: diretórios organizados em mais de 5.300 municípios, 700 mil filiados, 100 mil militantes profissionais, cabeça-de-chapa em 22 das 26 capitais e candidatos próprios em 80 das 90 cidades com segundo turno. Além disso, os candidatos do partido do presidente da República terão o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão a partir da segunda quinzena de agostoOs recursos do partido, administrados pela executiva nacional, serão usados unicamente na manutenção da estrutura partidária, garante o presidente do PT, José Genoino. "O PT nacional não tem dinheiro para a campanha municipal. O orçamento do partido é para manutenção de suas sedes em São Paulo e Brasília, para pagamento de funcionários e outras despesas com publicações, eventos e viagens", disse ao Estado. Para as campanhas, garante, cada candidato ou diretório municipal terá de buscar doações e outras formas de financiamentoE para bancar as despesas eleitorais indiretas do partido é preciso mesmo um bom caixa. Só de uma cartilha, com orientações jurídicas e estratégias sobre campanhas, o PT mandou imprimir 50 mil exemplares que serão distribuídos para os candidatos a prefeito e vereador de todo País. Uma publicação especial sobre o governo Lula, em forma de revista, também está sendo concluída e deve ser igualmente distribuída aos candidatos petistasA revista tem como objetivo primeiro fornecer dados para fundamentar o discurso dos candidatos petistas. Quatro grandes temas serão detalhados na publicação: a política econômica, o modelo de desenvolvimento, com destaque para os incentivos aos pequenos empresários e o programa de Parceria Público-Privada, os programas de inclusão social como Bolsa-Família e Fome Zero, e a política externaOutra grande despesa prevista pelo presidente do PT para este período de campanha eleitoral será com o transporte e hospedagem dos ministros. "Todo ministro do PT que for participar de algum ato de campanha terá sua despesa custeada pelo partido", disse Genoino. "Garanto que não haverá uso da máquina pública.São 13 os ministros do PT que despacham durante a semana em Brasília e, em alguns casos, vão para seus Estados nos fins de semana. Difícil, como já verificado em outras campanhas e outros governos, é separar o público do eleitoral. O ministro tem direito a usar avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir passar o fim de semana em seu Estado ou para eventos ligados a seu cargo no Executivo. Como impedir que ele, aproveitando uma viagem dessas, participe de um quase inevitável ato de campanha de seus aliados? "Estaremos de olho, vigiando, para evitar qualquer deslize", respondeu Genoino.Segundo ele, este ano o orçamento do PT, com receitas fixas, deve repetir os números registrados nas suas contas no ano passado. Na verdade, deve ser um pouco maior, já que o PT ampliou o número de filiados e militantes que contribuem com o dízimo - em 2003, as contribuições partidárias pagas por todo petista eleito e por aqueles com cargos comissionados nas administrações federal, estaduais e municipais renderam ao PT mais de R$ 15 milhões, líquidos.

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