PT suspende deputado acusado de extorsão

Jorge Babu, suspeito de liderar milícia na zona oeste do Rio, temia ser expulso do partido e comemorou decisão da Executiva Regional

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

02 de setembro de 2008 | 00h00

Acusado pelo Ministério Público do Rio por formação de quadrilha e extorsão, o deputado estadual Jorge Babu (PT) teve punição determinada ontem pela Executiva Regional do partido: suspensão dos direitos partidários por dois meses. Ontem mesmo foi aberto processo na Comissão de Ética, que terá o mesmo prazo para apresentar parecer ao Diretório Estadual, que poderá considerá-lo inocente ou julgá-lo culpado e expulsá-lo.Presente à reunião, Babu, suspeito de liderar uma milícia na zona oeste, comemorou o resultado. Questionado sobre a suspensão, disse estar "muito satisfeito". "O que eu não queria era ser expulso do PT. Queria tempo para me defender, quero ser investigado. Não sou miliciano." O presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice, disse que a suspensão "é a punição máxima" prevista pelo estatuto, nesta altura do processo, quando ainda não há recomendação da Comissão de Ética. "O estatuto não prevê expulsão sumária", explicou. A suspensão dos direitos partidários significa que Babu não pode participar de reuniões do PT nem se apresentar como representante do partido. Segundo Cantalice, a bancada petista na Assembléia vai decidir os limites da atuação do deputado como representante do PT no Legislativo.Há pouco efeito prático na punição. Babu já não participava das reuniões com os colegas deputados e não seguia a orientação da bancada. A reunião de ontem deixou claras as divergências do PT do Rio. Um dos integrantes da Executiva, o terceiro vice-presidente Samuel Maia acusou a direção estadual de não levar adiante os processos, inclusive do próprio Babu. Em 2004, depois de ser preso pela Polícia Federal em uma rinha de galo, Babu, que era vereador, foi expulso pelo PT municipal, mas recorreu ao PT nacional, que devolveu o caso para a Executiva Regional. Até hoje, nada foi decidido. Sobre as acusações de Samuel, o presidente regional afirmou que o PT "é democrático".

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