PT-SP teme dificuldade se Marta não disputar Prefeitura

Atual ministra do Turismo, ela descartava concorrer ao cargo neste ano, mas agora já admite a possibilidade

ANNE WARTH, Agencia Estado

15 de janeiro de 2008 | 17h20

A direção do PT paulista admite que terá um cenário difícil caso a ministra do Turismo, Marta Suplicy, não aceite concorrer às eleições para a Prefeitura de São Paulo neste ano. O presidente do diretório estadual do PT paulista, Edinho Silva, e o presidente do diretório municipal da legenda, José Américo, pretendem marcar uma reunião com a ministra para discutir o assunto. Embora as pesquisas apontem que a ex-prefeita seja a petista com mais chances de vencer a disputa, o partido quer, antes de mais nada, conversar com Marta para evitar o constrangimento e a pressão de um convite oficial.Marta, que antes descartava concorrer à Prefeitura de São Paulo neste ano, agora já admite a possibilidade. Os deputados federais Jilmar Tatto e José Eduardo Cardozo, além do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, também têm interesse na prefeitura da capital paulista, mas nenhum deles têm a força política da ex-prefeita. "A liderança mais construída que temos é Marta, que cumpre um papel importantíssimo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministra do Turismo. É uma decisão muito difícil, afinal seria uma grande perda para o governo federal", disse Silva. "Se ela não se candidatar, teremos que discutir outro nome para São Paulo. Não dá para fazer pressão sobre ela. Mas sem Marta no páreo, o cenário é muito difícil", acrescentou.Na avaliação de Silva, a prioridade do PT neste momento é discutir a política de alianças que será seguida nas eleições deste ano, para só depois definir o nome do partido na disputa. "O ideal seria que tivéssemos um candidato já, mas como não temos, poderemos adiar essa decisão até junho", analisou. Mesmo que Marta decida se manter no ministério do Turismo, o partido não deverá ceder a cabeça de chapa para um eventual aliado, como o PMDB, pois, para Silva, haverá tempo hábil para construir uma outra candidatura petista."Com o governo Lula indo bem e com a lembrança da boa gestão de Marta, é evidente que qualquer candidato do PT poderá se viabilizar e não vai fazer feio", opinou. Silva admite que o partido perdeu uma parte significativa de seu eleitorado, a classe média, mas acredita que o PT tem capacidade para recuperar parte de seus tradicionais eleitores. "Cometemos um erro ao não nos colocarmos como interlocutores do governo Lula diante de todos os ataques que sofremos. Ficamos na defensiva. Sei que a situação do partido não é tranqüila, mas temos potencial para recuperar esse espaço."A idéia do partido é apostar na gestão e nas propostas durante a campanha eleitoral e evitar entrar em uma disputa política recheada de ataques ou acusações pessoais. "Na derrota de Marta em 2004, perdemos na disputa política, não na gestão. Prefeituras impecáveis perdem as eleições, dependendo da conjuntura política, das alianças e do programa eleitoral", considera. "Precisamos identificar as contradições e fragilidades do adversário e apresentar alternativas. É claro que tudo fica mais fácil quando tem uma liderança forte na frente e que fez uma bela gestão", acrescentou Silva, em mais uma referência a Marta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.