PT-SP nega que falso procurador da filha de Serra tenha se filiado ao partido

Presidente estadual afirma que Atella nunca procurou o PT para corrigir erro em seu pedido de filiação

André Mascarenhas, de O Estado de S.Paulo,

04 de setembro de 2010 | 14h51

O presidente do diretório estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, divulgou no início da tarde deste sábado, 4, uma nota de esclarecimento em que nega que o contador Antonio Carlos Atella Ferreira tenha sido filiado ao partido. Atella usou uma procuração falsa para ter acesso a cópias da declaração de renda de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

 

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Na versão expressa na nota, Edinho argumenta que Atella apresentou sua proposta de filiação ao diretório de Mauá do PT em outubro de 2003, mas que a mesma não pode ser efetuada pela Justiça Eleitoral por não existir "compatibilidade entre o nome constante do pedido de registro de filiação e os documentos eleitorais firmados em nome de Antônio Carlos Atella Ferreira".

Segundo o PT paulista, "ao ser escrita ou digitada a solicitação de filiação", o nome de Atella "foi grafado de forma incorreta, encaminhando-se, em decorrência disso, aos órgãos competentes da Justiça Eleitoral, o pedido de registro de filiação em nome de Antõnio Carlos 'Atelka' Ferreira".

 

O presidente do diretório estadual PT em São Paulo acrescenta que Atella, desde então, "nunca procurou os Dirigentes do Diretório de Mauá para corrigir a situação da sua filiação junto a Justiça Eleitoral". "Da mesma forma, ele nunca participou de qualquer órgão de direção partidária, nem de qualquer evento, seminário, reunião ou atividade promovida pelo Diretório, não tendo nunca cumprido quaisquer obrigações estatutárias estabelecidas para os nossos filiados, nem mesmo sequer comparecido para votar em quaisquer dos nossos processos eleitorais internos."

 

Por fim, Edinho afirma que "por não ter tomado qualquer iniciativa para regularizar o registro da sua filiação", Atella "acabou por ter o seu nome excluído, pela Justiça Eleitoral, do quadro de filiados do Partido dos Trabalhadores, não tendo ainda em momento algum, ao logo de todos estes anos, participado minimamente da nossa vida partidária. Desse modo, tanto perante a Justiça eleitoral como para o Partido dos Trabalhadores, ele não é considerado como integrante do nosso quadro de filiados."

 

Incompatibilidade. A versão diverge da sustentada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, que na noite de sexta-feira, 3, informou que Atella foi filiado ao PT até novembro de 2009, menos de dois meses após a violação do sigilo de Verônica Serra. De acordo com a assessoria do Tribunal, Atella se filiou ao partido em 2003, mas teve seu nome "excluído" da lista de filiados após a constatação de uma incompatibilidade entre os dados apresentados pelo partido e o registro do eleitor junto à Justiça eleitoral.

 

A atribuição de status de "excluído", informa o TRE-SP, não significa que Atella tenha se desfiliado do partido.

 

Ao fim de um ato em prol de Dilma em Guarulhos, Edinho concedeu coletiva de imprensa na qual reiterou não haver qualquer registro de participação de Atella nas atividades partidárias. "Esse senhor nunca fez parte da vida do PT", disse.

 

O Edinho admitiu, entretanto, que de fato um dos fundadores do PT de Mauá é cunhado de Atella, e acrescentou que o PT ainda não entrou em contato com esse fundador para saber as razões pelas quais o contador tentou se filiar. Reportagem publicada neste sábado pelo jornal Folha de S.Paulo aponta o procurador de Justiça João Primo, cunhado de Atella, como um dos fundadores do PT de Mauá.

 

Situada na Grande São Paulo, Mauá é foco de outro escândalo que abala a Receita - de um computador da agência do Fisco na cidade foram acessados os dados tributários do vice presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos.

 

Com informações de Malu Delgado

 

Leia a íntegra da nota do PT-SP

 

"NOTA

 

Diante das notícias veiculadas por órgãos de imprensa acerca da filiação do Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA ao Partido dos Trabalhadores (Diretório de Mauá - São Paulo), o DIRETÓRIO ESTADUAL DE SÃO PAULO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES vem de público esclarecer que:

 

1. Foi apresentada ao Diretório Municipal do PT de Mauá, em outubro de 2003, proposta de filiação do Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA;

 

2. Ocorre, porém, que ao ser escrita ou digitada a solicitação de filiação, o seu nome foi grafado de forma incorreta, encaminhando-se, em decorrência disso, aos órgãos competentes da Justiça Eleitoral, o pedido de registro de filiação em nome de ANTÕNIO CARLOS "ATELKA" FERREIRA;

 

3. Em decorrência de não existir compatibilidade entre o nome constante do pedido de registro de filiação e os documentos eleitorais firmados em nome de ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA, a Justiça Eleitoral deixou de efetivar o registro da filiação;

 

4. Desde então, o Sr. ANTÔNIO CALOS ATELLA FERREIRA nunca procurou os Dirigentes do Diretório de Mauá para corrigir a situação da sua filiação junto a Justiça Eleitoral. Da mesma forma, ele nunca participou de qualquer órgão de direção partidária, nem de qualquer evento, seminário, reunião ou atividade promovida pelo Diretório, não tendo nunca cumprido quaisquer obrigações estatutárias estabelecidas para os nossos filiados, nem mesmo sequer comparecido para votar em quaisquer dos nossos processos eleitorais internos;

 

5. Assim, o Sr. ANTÔNIO CARLOS ATELLA FERREIRA, por não ter tomado qualquer iniciativa para regularizar o registro da sua filiação, acabou por ter o seu nome excluído, pela Justiça Eleitoral, do quadro de filiados do Partido dos Trabalhadores, não tendo ainda em momento algum, ao logo de todos estes anos, participado minimamente da nossa vida partidária. Desse modo, tanto perante a Justiça eleitoral como para o Partido dos Trabalhadores, ele não é considerado como integrante do nosso quadro de filiados.

 

São Paulo, 3 de outubro de 2010

 

EDINHO SILVA"

 

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