PT-SP dará prioridade a 5 áreas do PSDB julgadas 'frágeis' por petistas

Intenção da sigla é centralizar as críticas nas greves recentes e destacar ações do governo Lula

Anne Warth e Gustavo Porto, da Agencia Estado

20 de abril de 2010 | 11h41

SÃO PAULO - Na campanha para tentar eleger o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) governador de São Paulo, o PT priorizará cinco pontos considerados "frágeis" do PSDB, há 15 anos no comando do governo do Estado. No documento com as diretrizes da campanha, previsto para ser discutido e aprovado nesta semana, o PT apontará as falhas dos adversários nas áreas de saúde, educação, segurança pública, transporte e desenvolvimento regional.

 

"O PSDB está dando sinais de desgaste no governo de São Paulo. Os parâmetros nessas áreas vão mal. O dinamismo econômico poderia ser melhor, a educação está medíocre e a segurança pública é lamentável", afirmou o prefeito de Osasco, na região oeste da Grande São Paulo, Emídio de Souza (PT), coordenador da campanha de Mercadante.

 

Na educação, o PT pretende centralizar as críticas na recente greve dos professores da rede pública e na política de pagar bônus salariais à categoria, política cujo objetivo, na avaliação do partido, é dividir a classe. "A situação é grave. A maioria dos professores está há cinco anos com apenas 5% de reajuste. Aqueles que não conseguem 20% de aumento em provas de avaliação só podem prestar outra a cada quatro anos. Isso dividiu os professores", avaliou o pré-candidato do PT a governador de São Paulo.

 

Além disso, a legenda destacará as ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar o número de escolas técnicas e universidades federais, bem como a importância do Programa Universidade para Todos (ProUni).

 

Segurança

 

A polícia é outra categoria insatisfeita na qual a sigla pretende buscar votos no Estado. Para combater os tucanos, a agremiação usará as constantes paralisações e ameaças de greves de policiais durante a gestão do ex-governador José Serra (PSDB) e indicadores que demonstram o aumento dos índices de criminalidade no Estado, principalmente em cidades do interior.

 

O PT proporá o resgate da imagem da polícia, a exemplo do que foi feito com a Polícia Federal (PF) durante o mandato de Lula. "Precisamos equipar a polícia com tecnologia avançada e aumentar salários. O delegado de Polícia Civil de São Paulo tem o salário mais baixo do País", afirmou o líder do partido na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Antonio Mentor. "Falta capacidade de diálogo ao governo tucano e sobra autoritarismo", avaliou Emídio de Souza.

 

Na área de saúde, a proposta é bater de frente contra a recusa do governo estadual em não assinar convênios com o federal para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a construção das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nas cidades do Estado. No Estado, a administração federal tem feito acordos diretamente com as prefeituras para adotar os programas. "São Paulo não tem uma relação republicana na área da saúde", criticou Mercadante. "É o único Estado que não assinou os convênios", disse Mentor.

 

Transporte

 

No setor de transporte, a sigla atacará em duas frentes: a situação caótica do trânsito na capital paulista e região metropolitana e as dificuldades nas obras feitas pelos tucanos para tentar reduzir esse obstáculo. Falhas e atrasos nas obras de ampliação do metrô e na construção do Rodoanel Mário Covas serão expostas na campanha.

 

Os petistas proporão ainda políticas de desenvolvimento regional para o interior de São Paulo, justamente onde tem mais força o ex-governador, ex-secretário de Desenvolvimento do Estado e pré-candidato a governador Geraldo Alckmin (PSDB), adversário de Mercadante. "O crescimento econômico está centralizado na Grande São Paulo e nas regiões metropolitanas de Campinas e da Baixada Santista", avaliou o pré-candidato do PT a governador. "Sem o fomento ao desenvolvimento regional, vários municípios paulistas sofreram evasão demográfica", concluiu.

 

Imbatível

 

Sobre o desempenho de Alckmin nas pesquisas eleitorais, bem à frente do pré-candidato do PT, Emídio de Souza avalia que o cenário é reversível. "Alckmin não é imbatível. Só é mais conhecido. Em 2008, ele começou a campanha em primeiro lugar para a Prefeitura, mas terminou em terceiro", avaliou.

 

As diretrizes da campanha petista serão avaliadas na reunião do diretório estadual do partido, quinta, 22, e sexta-feira, 23. O texto final será apresentado no sábado, 24, durante encontro estadual para oficializar as pré-candidaturas de Mercadante a governador e da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy a senador, evento que deve contar com a presença de Lula e da pré-candidata a presidente Dilma Rousseff.

 

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