'PT será avaliado pelo conjunto da obra', diz Carvalho

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que o governo está ocupado demais em resolver problemas sociais, para acompanhar o julgamento do mensalão e as trocas de hostilidades entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas admitiu que o PT está tendo muito trabalho para reverter os danos à sua imagem e o quadro desfavorável nas eleições municipais. "A gente está trabalhando muito no governo, muito nos finais de semana, nas campanhas eleitorais, para fazer valer o peso da nossa história".

VANNILDO MENDES, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

27 de setembro de 2012 | 18h05

Segundo o ministro, ao final de tudo, o dano eleitoral será amenizado. "Achamos que o que vai valer no nosso caso é a história de um partido que está transformando o País", disse ele. "O povo avalia um partido não por um episódio ou por outro, mas pelo conjunto da obra. E o conjunto da obra é esse Brasil novo que estamos fazendo", acrescentou. Ele não quis comentar a sucessão de embates entre o ministro relator do processo, Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandowski. "Não sei se isso afeta ou não a credibilidade do julgamento. Estamos tocando a nossa vida e o julgamento está correndo lá. Nós não temos nos detido nessa questão".

Carvalho deu a declaração nesta tarde, em entrevista, após participar, em Maceió, do lançamento do Plano de Prevenção à Violência contra a Juventude Negra. Alagoas é o campeão nacional de homicídios, conforme estatísticas oficiais, com uma taxa de 66 crimes por grupo de 100 habitantes, três vezes maior que a média do País. Entre as vítimas, 70% são de cor negra e, destes, 74% são jovens, pobres e de baixa escolaridade.

O plano, que nasce na esteira do Programa Brasil Mais Seguro, lançado há três meses pelo governo federal, será a seguir expandido a outros Estados nordestinos e depois ao resto do País. O objetivo é reduzir o elevado índice de homicídios que atinge o segmento, segundo explicou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, presente ao ato. Além de Maceió, outros três municípios incluídos na lista dos 132 mais violentos do País, receberão as ações previstas para essa primeira etapa, na qual serão investidos R$ 82 milhões.

Segundo Cardozo, o Brasil Mais Seguro já produziu resultados concretos em três meses, com redução de taxa de homicídios de 15% em Maceió e 34% em Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas. Em todo o Estado, a redução foi de 10%, o que significou 54 mortes a menos no período. Como parte do programa, foram enviados 300 homens da Força Nacional de Segurança Pública para Maceió, para reforço da segurança em pontos críticos. O governo também investiu na reestruturação da perícia criminal, no combate à impunidade e no treinamento dos efetivos policiais locais.

Alternativa às Unidades de Polícia Pacificadora do Rio, o plano lançado hoje, também chamado Juventude Viva, prevê ações de inclusão nas áreas de saúde, educação, cultura e espaços de convivência em territórios violentos, além do enfrentamento do racismo na sociedade. "Entendemos que, além da repressão ao crime e ao tráfico, é essencial dar uma oportunidade nova ao jovem", disse Carvalho. "É um investimento na cultura, na profissionalização e no apoio à economia solidária". Para os adolescentes, o plano prevê educação integral, entre outras medidas. "São formas preventivas que dão ao jovem outra alternativa que não seja apenas a violência e o tráfico".

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