PT segue dividido quanto a nome para sucessão em MG

A sugestão de José Alencar como opção de consenso não teve o efeito esperado entre os aliados

Raquel Massote, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2010 | 09h09

A aposta de alguns segmentos do PT em Minas Gerais, de colocar o vice-presidente José Alencar (PRB) como o nome capaz de unir os partidos da base aliada na disputa pelo governo do Estado e fortalecer a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil ao Palácio do Planalto, no segundo maior colégio eleitoral do País, ainda parece longe de um desfecho.

 

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Durante as comemorações pelos 30 anos da legenda, na noite de ontem na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, Alencar foi alçado ao posto de "militante honorário" do PT e disse estar à disposição na busca de um palanque único "A única coisa que me move é ter unidade em Minas, para garantir apoio à continuidade do trabalho do presidente Lula", afirmou o vice-presidente. Ele reforçou que se para isso for preciso que seja candidato "não se furtará". Antes que isso ocorra, no entanto, Alencar disse preferir aguardar os resultados dos exames para verificar a evolução do tratamento de combate a um câncer abdominal, previstos para a segunda quinzena de março.

 

No xadrez político que pautará as discussões nos próximos meses, os partidos da base aliada contam com as pré-candidaturas a governador do atual ministro de Desenvolvimento e Combate à Fome, Patrus Ananias, do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, ambos pelo PT, e do ministro das Comunicações, Hélio Costa, pelo PMDB, que hoje tem melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto.

 

Nesta segunda-feira, 8, ao chegar à festa de comemoração do PT, o ex-prefeito da capital mineira apontou que o nome de Alencar "ainda não está colocado". "Não vamos trabalhar com essa hipótese (da candidatura de Alencar). O que temos de concreto é a candidatura própria do PT." Em seguida, o deputado federal Reginaldo Lopes, reeleito para a presidência do diretório estadual do PT, considerou que para a tese de um palanque único, o nome que unificaria a base é José Alencar, mas se não houver consenso a base de Lula poderá ter dois palanques no primeiro turno, um do próprio partido e outro do PMDB. "Na ausência desta tese temos dois candidatos, porque o PT defende a tese da candidatura própria."

 

A hipótese da indicação de Alencar como candidato ao governo do Estado foi lançada pelo grupo aliado ao ministro do Desenvolvimento e Combate à Fome. Na segunda-feira, durante solenidade na Câmara Municipal de Belo Horizonte, em que o vice-presidente recebeu uma homenagem de Honra ao Mérito, Patrus afagou Alencar. "Mestre, por onde for quero ser seu par", disse referindo-se à letra da canção "Andança", de Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós. Ao sair do encontro do PT, Patrus endossou a tese do palanque único, afirmando que esta seria a melhor forma de dar sustentação à candidatura de Dilma. Ele reforçou que continua pré-candidato e trabalha para viabilizar a sua própria indicação do partido. "Mas em política não trabalhamos apenas com um cenário", argumentou.

 

Campanha

 

Nesta terça-feira, 9, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, inauguram obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Governador Valadares e uma universidade em Teófilo Otoni, no Jequitinhonha. Aécio, no entanto, não receberá o presidente e cumprirá agenda em Montes Claros, no norte do Estado, onde lançará a terceira etapa do Programa Luz para Todos, de eletrificação rural. Esta será a segunda viagem de Lula este ano ao Estado sem a presença do governador - a primeira ocorreu em 19 de janeiro, aos municípios de Jenipapo, Araçuaí e Juiz de Fora.

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