PT se reúne com movimentos sociais e sugere reaproximação

Apesar da relação conflituosa, secretário diz que grupos terão forte participação no Congresso Nacional da sigla

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2031 | 00h00

O PT tenta recuperar a aproximação com os movimentos sociais que, de acordo com o próprio Campo Majoritário - tendência mais forte do partido -, "perderam vigor" nos últimos tempos. No 1º Colóquio PT x Movimentos Sociais, realizado ontem em São Paulo, o secretário nacional de movimentos populares do PT e ex-deputado estadual, Renato Simões, reconheceu as diferenças entre as instâncias, mas disse esperar que o diálogo se fortaleça. O presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, afirmou que há uma "conflitividade natural" na relação, mesmo quando há petistas do lado do governo e dos movimentos sociais."O próprio presidente Lula reconheceu que os movimentos sociais como a União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento dos Sem-Terra (MST) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) fizeram a diferença no segundo turno das eleições. Os grupos organizados terão forte participação no Congresso do PT", afirmou Simões, no Sindicato dos Engenheiros, onde ocorreu o encontro, diante de platéia com representantes de movimentos sociais do País.Berzoini exemplificou as dificuldades de diálogo entre o partido e os movimentos com a conquista, na década de 1980, da Prefeitura de Diadema pelo ex-petista Gílson Menezes, hoje no PSB. "O conflito natural não é um problema, embora às vezes traga dificuldades. Quando o PT conquistou a prefeitura, havia a ilusão de que conseguiríamos, por ser governo, resolver todos os problemas", disse. Com relação à proposta de redução do seu mandato por conta do escândalo do dossiê Vedoin, Berzoini afirmou que ele próprio defende que haja novas eleições para a direção do PT ainda neste ano. "Não ouvi ninguém falar disso (de sua saída por conta do dossiê), mas houve mudanças de composições da direção neste processo e é importante que o partido faça a reavaliação de sua atuação. O Congresso tem o direito de reavaliar o partido."CANSEIO presidente do PT ironizou o movimento Cansei contra a corrupção. "Não sei se o patrono é o Haddock Lobo ou o Oscar Freire, mas é um movimento dissimulado, que não assume sua característica partidária", acusou, referindo-se a ruas de comércio na capital paulista destinado às classes mais abastadas.Berzoini sugeriu ainda que os líderes do Cansei - o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D?Urso, e o empresário João Dória Júnior - representam setores da oposição. Com relação às vaias que Lula vem sofrendo desde a abertura do Pan, ele disse que o PT precisa estar preparado para conviver com elas.

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