PT se mobiliza para evitar saída de Marta

PT se mobiliza para evitar saída de Marta

Partido defende candidatura Haddad em 2016, mas não quer perder sua grande puxadora de votos

PEDRO VENCESLAU E VALMAR HUPSEL FILHO , O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2014 | 02h02

A cúpula do PT está mobilizada para evitar que a ex-prefeita, ex-ministra e atual senadora Marta Suplicy, considerada na sigla uma das maiores puxadoras de votos em São Paulo, deixe o partido. Depois de fazer diversas sinalizações neste sentido, Marta deixou claro em entrevista à colunista Dora Kramer, no Estado de ontem, que cogita migrar para outra legenda.

"Queremos que ela continue no PT e vamos fazer todo esforço possível para que ela fique", disse ontem Emídio de Souza, presidente do diretório do partido em São Paulo. Ele evitou, porém, responder às declarações de Marta, que criticou nominalmente a "maneira estreita e autoritária" como, segundo ela, a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, conduzem o governo e o partido. "Não vou polemizar com ela", afirmou Emídio.

A entrevista de Marta causou incômodo entre as diversas correntes do partido. "Não sei o que a move, mas há muito estrelismo no PT. Este discurso de Marta Suplicy não me comove", afirmou Marcus Sokol, dirigente do grupo O Trabalho, considerado pelos petistas a facção mais à esquerda da legenda.

Espaço. Reservadamente, dirigentes petistas dizem que não acreditam que a ex-ministra esteja realmente decidida a mudar de partido. Avaliam que o conteúdo da carta de demissão divulgada por ela na semana passada e, especialmente, a entrevista concedida ao Estado, foram motivados por dois fatores: mágoa e busca de espaço político na máquina partidária, perdido desde que assumiu o mandato de senadora, em 2011.

O comando petista reconhece que foi um erro ter pedido para Marta descer de um carro aberto em que estava a presidente Dilma durante uma atividade de campanha em São Paulo. Isso teria irritado a senadora, que se afastou da presidente durante o processo eleitoral. Segundo comentou um petista, Marta quer "tensionar", mas sabe que não há espaço para ela na disputa pela Prefeitura paulistana, já que o atual prefeito Fernando Haddad é o candidato natural. Dito isso, esclarece o dirigente, o PT vai procurar opções políticas para acomodá-la.

"Cabe às pessoas do partido, e também à presidente, levar em conta que os seres humanos são sensíveis", justificou o senador Eduardo Suplicy ao comentar o episódio do carro de som. Com base no que conversou com Marta dois dias depois da entrega da carta de demissão, ele considera que os movimentos dela estão voltados mais para dentro do que para fora do partido. "É legítimo ela querer sair candidata em 2016, mas o partido tem mecanismos de definição das candidaturas."

No sábado, ao sair de uma reunião do PT em São Paulo, o presidente Rui Falcão negou que houvesse qualquer desavença entre ele e Marta. Afirmou que, para ele, o episódio do carro de som já foi superado. "Para evitar qualquer mal entendido eu a procurei no evento da PUC, pedi desculpas e ela aceitou", disse Falcão. "Marta é uma pessoa valorosa. Uma liderança importantes nossa. Ela é responsável pelo melhor governo que o PT fez em São Paulo e teve um desempenho muito grande como ministra do Turismo e agora na Cultura", completou.


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