PT se divide sobre CPI de remessa ilegal de dinheiro

O PT se dividiu sobre a instalação da CPI no Senado para investigar as remessas ilegais de recursos ao exterior defendida pelo PSDB. Quatro parlamentares petistas assinaram o requerimento de CPI protocolado nesta terça-feira pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Outro grupo do PT discorda da proposta de criação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as irregularidades neste momento.A senadora Ideli Salvatti (SC) disse nesta quarta-feira que não é hora de instalar a CPI, já que o governo está agindo para concluir as investigações do caso de envio ilegal de dinheiro para o exterior.Segundo ela, uma comissão parlamentar de inquérito só deverá ser aberta se as autoridades competentes não tocarem as apurações. Seus colegas Paulo Paim (PT-RS), Serys Slhessaenko (PT-MT), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Saturnino Braga (PT-RJ) assinaram o requerimento de Paes de Barros."O PT é governo e o governo do PT reassumiu efetivamente as investigações. Estas apurações se arrastam desde 1996. O senador Antero Paes de Barros está agora fazendo uma autocrítica ao apresentar o requerimento, porque o governo de Fernando Henrique não resolveu o caso", afirmou Ideli. Ela garante, no entanto, que defenderá a CPI se detectar descaso do governo em relação ao escândalo.Ideli chegou a sair na frente para instalação da comissão de inquérito no Senado, colheu 35 assinaturas de apoio, mas desistiu de apresentar o requerimento. "Se apresentasse o pedido de criação de CPI, estaria desconfiando do governo, que criou uma força-tarefa para cuidar do caso", afirmou. Para Antero Paes de Barros, o PT, com o argumento de que não quer atrapalhar o andamento das reformas constitucionais no Congresso, preferiu abandonar a ética. "O PT é o partido ´denorex´, parece mas não é", acusou o tucano. Ele defendeu a idéia da CPI com base no depoimento do delegado José Francisco de Castilho Neto, que revelou à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado que há políticos de renome envolvidos no esquema irregular pelo qual teriam sido remetidos para o exterior US$ 30 bilhões entre 1996 e 1999 por meio de agências do Banestado e de outras instituições.

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