Ed Ferreira/Estadão - 11.05.12
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PT se afasta de Sarney e anuncia apoio ao governo do PC do B no Maranhão

Petistas decidiram formalizar aliança com governador Flávio Dino e discutem coligações para as eleições municipais e de 2018; partido apoiou nomes do PMDB no Estado desde 2010

Diego Emir - Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 17h59

SÃO LUÍS - A direção do PT no Maranhão anunciou, na segunda-feira, 30, apoio formal ao governo Flávio Dino (PC do B) e a intenção de compor uma aliança para as eleições de 2016 e de 2018. Com a decisão, os petistas se afastam do grupo político do ex-presidente da República e ex-senador José Sarney (PMDB). Na eleição do ano passado, o partido apoiou formalmente a candidatura de Edison Lobão Filho (PMDB), adversário do governador.

O presidente do PT no Estado, Raimundo Monteiro, diz que, apesar da decisão, não existe um rompimento com o PMDB. "Aderimos ao governo Flávio Dino por conta da defesa que ele faz do projeto nacional, do qual nós fazemos parte", justifica. O PC do B faz parte da base aliada à presidente Dilma Rousseff no Congresso e indica o ministro da Defesa, Aldo Rebelo.

No entanto, para o vice-presidente do PT, Augusto Lobato, trata-se do fim de um ciclo que durou cinco anos. "Na hora em que o PT anuncia uma aliança com o PC do B, é lógico que existe um rompimento, não é possível servir a dois senhores. O lado do PT agora é com o PCdoB", afirma. O partido vinha se aliando ao PMDB no Estado desde 2010 devido à orientação da Executiva Nacional de reproduzir a aliança com o PMDB firmada em nível nacional.

Apesar de a decisão de apoiar o governo comunista sair apenas às vésperas do encerramento do ano, o PT já ocupava duas secretarias (Esporte e Direitos Humanos) na administração estadual. O líder do PT na Assembleia Legislativa, Zé Inácio, explica que a demora ocorreu devido a dificuldades políticas. "Se fosse uma decisão simples de adesão ao governo Flávio Dino, não seria um processo demorado, construído no diálogo e no consenso político progressivo", afirma.

Eleições. O anúncio também envolve possível aliança na campanha à reeleição do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), aliado do governador, e eventualmente na tentativa de manutenção do mandato de Flávio Dino em 2018.

Com a adesão formal à gestão Dino, o PT divide o governo com o PSDB, que também ocupa a administração do Estado. O vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão, é tucano. Raimundo Monteiro diz, porém, que, nesse caso, não há relação com a política nacional: "Nós vamos continuar combatendo o PSDB e a política neoliberal que eles desejam implantar", diz.

O presidente do PMDB no Maranhão, senador João Alberto, não atendeu ao contato da reportagem para comentar a decisão do PT. A ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), antecessora de Dino e que também recebeu apoio do PT, afirmou, durante o lançamento de livros que contam a trajetórias dos seus quatro mandatos (1995-1998/1999-2002/2009-2010 e 2011/2014), que integrantes do PT maranhense sempre a procuram para saber quando ela volta para política, mas disse considerar natural o movimento de adesão ao governo estadual por parte dos petistas.

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