Gonçalo Junior / Estadão
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Após 'período massacrante em 2016', Lula aposta em fortalecimento do PT em 2020

Ex-presidente votou por volta das 8h deste domingo, 15, em São Bernardo do Campo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2020 | 09h02
Atualizado 15 de novembro de 2020 | 13h51

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que o PT sairá fortalecido das eleições municipais de 2020 e que vai conseguir recuperar o poder em muitas cidades onde foi derrotado em 2016, o período "mais massacrante da história do partido", em sua opinião. A afirmação foi feita na manhã deste domingo, 15, quando o ex-presidente votou em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

"Esta é uma eleição muito importante. Esta é uma eleição histórica para o PT. Acho que o PT sairá fortalecido, até marcando uma posição contra aqueles que apostaram a vida inteira no fim do partido", disse o ex-presidente. "Nós temos de comparar as eleições de 2020 com as eleições de 2016, que foi o período mais massacrante que o partido passou em toda sua história", afirmou.

Em 2016, o partida teve fraco desempenho nas urnas por causa de dois fatores principais: a onda das denúncias da Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff

Questionado pelo Estadão sobre o número de cidades em que esperava vitória nas eleições municipais, o presidente desconversou. "Acho que vamos ganhar muitas cidades. Aqui em São Paulo, o PT tinha 68 cidades e caiu para oito em 2016. Acho que vamos recuperar muitas que tínhamos perdido e vamos ganhar em novas", afirmou o petista.

Uma das cidades em que o PT tenta recuperar o poder é o próprio colégio eleitoral onde Lula votou neste domingo. Em São Bernardo, ele declarou seu voto para o ex-ministro Luiz Marinho (PT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas. O líder das intenções de voto em São Bernardo é o atual prefeito Orlando Morando (PSDB). 

Em 2020, o PT registrou um número recorde de candidatos próprios em capitais – foram 21 ao todo. Em 14 deles, no entanto, o partido aparece isolado em chapas puras e com poucas chances de vitória. Balanço realizado pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) aponta que o PT tem chances de ganhar ou chegar ao segundo turno na cabeça de chapa apenas em Vitória, Fortaleza, Recife, Goiânia e Campo Grande. Por meio de alianças, o partido tem chances com PSOL e PCdoB em Belém, Porto Alegre e Florianópolis. Em outras capitais importantes, como Salvador, São Paulo e Rio, o partido mantém esperanças, apesar das dificuldades.

Lula chegou ao local de votação por volta das 8h na escola João Firmino de Araújo, em São Bernardo. Bem-humorado e falante, o presidente cumpriu os protocolos de prevenção à covid-19, utilizando álcool em gel antes e depois da votação. Após o voto, Lula parou para tirar selfies com funcionários da seção eleitoral 070. No final da entrevista, já do lado de fora do colégio eleitoral, o ex-presidente ainda foi irônico sobre o uso do álcool em gel e o fato de ter perdido o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho. "Eu passei tanto álcool em gel na mão que perdi até um dedo", brincou. 

O ex-presidente também acredita que a campanha eleitoral para as prefeituras também foi importante para o PT marcar posição em relação ao governo federal. "O PT teve oportunidade de fazer uma campanha não só pedindo votos, mas tentando mostrar duas coisas fundamentais. A primeira é o legado nas cidades que governou, no País. Ao mesmo tempo, são as críticas ao desgoverno de Bolsonaro, que é o provavelmente o maior desastre político da história desse País. Somente os milicianos dele e os fanáticos podem achar que ele faz algo de útil para o País", disse o ex-presidente.  

'Decisão de Tatto foi soberana'

Lula também afirmou neste domingo, 15, que a decisão do candidato Jilmar Tatto (PT) de se manter na disputa pela Prefeitura de São Paulo foi soberana. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, se reuniu com Tatto na terça-feira, sugerindo a possibilidade de o petista indicar voto em Guilherme Boulos. Em troca, o PSOL poderia apoiar a candidata do PT à prefeitura do Rio, Benedita da Silva

"Algumas pessoas fizeram um movimento sem depender da direção do partido. Alguns fizeram documento de adesão ao Boulos bem antes de a campanha começar. E nós temos de respeitar. A Gleisi cumpriu o papel dela de presidenta do partido. Ela fez o que deveria fazer. Ela disse que dependeria apenas dele. O candidato disse que continuaria como candidato. Foi uma atitude correta dela e uma atitude soberana dele", opinou Lula.

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