PT revê acordo e mantém Marta na vice-presidência do Senado

Decisão do partido seria em troca do engajamento da senadora na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado

01 de fevereiro de 2012 | 14h31

BRASÍLIA - Para manter a senadora Marta Suplicy (PT-SP) na cadeira de vice-presidente do Senado, a bancada do PT decidiu revisar o acordo celebrado há um ano, de que haveria um rodízio a fim de que José Pimentel (PT-CE) assumisse o cargo neste ano. A decisão garante um lugar de prestígio para a petista no Congresso, em troca de seu engajamento na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Na mesma reunião da bancada - que contou com a presença do presidente do PT, Rui Falcão - os petistas elegeram Walter Pinheiro (BA) novo líder da bancada.

Marta rechaçou a afirmação de que teria negociado sua permanência na vice-presidência em troca da participação na campanha de Haddad. "Nunca pensei em negociar (o cargo), sempre estive (engajada na campanha)", protestou. Ela observou que a campanha ainda não começou oficialmente e, quando for o momento, vai se fazer mais presente. "É uma cobrança prematura, sempre fui um soldado do partido", afirmou.

Rui Falcão saiu em defesa de Marta, afirmando que ela "nunca colocou em dúvida" sua colaboração com a campanha de Haddad. "Não há condição nem imposição nem dúvida nenhuma da participação da companheira Marta (na campanha de Haddad)", enfatizou o dirigente petista. "Só o fato de ela renunciar à candidatura já é uma demonstração de completo envolvimento na campanha de Haddad", acrescentou o novo líder, Walter Pinheiro.

Um dos senadores que participou da reunião disse que foi legítima a decisão de preservar Marta no cargo, porque ela "já abriu mão de muita coisa". Além de renunciar à candidatura a prefeita, Marta foi descartada para assumir um ministério de peso. Sem a vice-presidência, ela seria relegada à planície na atuação parlamentar. Também pesou na decisão do PT de "revisar" o acordo, que envolvia outros integrantes da bancada, a ameaça do líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a legalidade do rodízio petista no comando do Senado. A Constituição Federal e o regimento interno fixam mandatos de dois anos na Mesa Diretora do Senado e na presidência das comissões.

Segundo um integrante da bancada, ninguém desejava assumir um cargo respondendo a processo por quebra de decoro no STF. O rodízio também alcançava as presidências das Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Direitos Humanos. Na CAE, Eduardo Suplicy (PT-SP) sucederia a Delcídio Amaral (PT-MS) na presidência. E Ana Rita (PT-ES) assumiria a cadeira de Paulo Paim (PT-RS) nos Direitos Humanos.

Walter Pinheiro foi eleito novo líder à unanimidade de votos, no lugar de Humberto Costa (PT-PE). O senador Wellington Dias (PT-PI) renunciou à disputa com Pinheiro. Em primeiro lugar, porque se o embate fosse a voto, além do desgaste da divisão da bancada, poderia sair derrotado, porque Pinheiro tinha o apoio da maioria. Outro argumento para convencê-lo a recuar foi o apoio da cúpula do PT à pré-candidatura de sua mulher, a deputada estadual Rejane Dias (PT), à Prefeitura de Teresina (PI).

Na Justiça. Antes da reunião, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), ameaçava recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso o PT adotasse o rodízio. O senador sustentava que o procedimento infringiria o Regimento Interno da Casa.

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