PT retoma tempo na TV e espera ‘turbinar’ candidatura de Haddad

TSE manteve multa à presidente Dilma, mas liberou inserções diárias, que totalizarão 15 minutos

Fernando Gallo, de O Estado de S. Paulo,

09 Maio 2012 | 22h49

SÃO PAULO - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, na terça-feira, 8, manter um tempo da propaganda partidária do PT na TV e no rádio que o próprio partido já dava como perdido. A direção petista quer utilizar as inserções para turbinar a pré-candidatura de Fernando Haddad em São Paulo para tentar tirá-lo dos 3% de intenções de voto.

Ao julgar uma ação contra o PT por propaganda eleitoral antecipada da então candidata Dilma Rousseff em 2010, o TSE manteve multa à presidente e ao partido, e cassou os programas em bloco, com duração de 10 minutos, a que o PT teria direito no primeiro semestre deste ano. Mas decidiu manter as inserções diárias, que têm de 30 segundos a 1 minuto, e irão ao ar a partir da terça-feira da semana que vem. Somadas, as inserções totalizarão 15 minutos, e serão exibidas em três dias, com um total de 5 minutos para cada um.

A decisão do tribunal gerou um corre-corre no PT. Haddad encontrou-se no fim da manhã desta quarta-feira, 9, com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e o marqueteiro João Santana na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Os três conversaram sobre a decisão do TSE e a linha que deverá ser adotada na propaganda partidária. Um dia antes, Haddad não tinha nenhuma previsão de se encontrar com o ex-presidente. Lula também tratou do tema por telefone com o presidente nacional do partido, Rui Falcão.

Separação. Embora o programa seja nacional, tecnicamente o PT pode separar a cadeia de rádio e TV, e hoje deve definir a separação da capital paulista e sua região metropolitana do restante da rede. Com isso, poderá usar Haddad em um número maior de inserções. O ex-ministro, no entanto, não deve aparecer em todos os “programetes”, porque deverá dividir o espaço com Lula e Dilma. O tempo a ser destinado ao pré-candidato será discutido na quinta-feira, 10, entre a direção nacional e o diretório municipal.

“A direção nacional ainda vai se reunir para discutir como utilizar o tempo e qual vai ser a linha do programa”, sustentou nesta quarta um cauteloso Haddad, que há semanas, assim como o partido, jogou a toalha e sustentava que seu crescimento nas pesquisas só se daria em agosto, com o vigor do horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio.

Ainda que legalmente não possa fazer campanha, o PT usará o espaço para promover a imagem do ex-ministro da Educação, e associá-lo ao ex-presidente, à atual presidente e ao partido. A legenda assumirá, com isso, o mesmo risco que assumiu com Dilma em 2010, justamente o que fez o PT perder parte de sua propaganda partidária neste ano. No partido, no entanto, há consenso de que é necessário repetir a estratégia de dois anos atrás, mesmo sob risco de novas penalidades, já que é a única mídia nacional que o PT terá no primeiro semestre, uma vez que as grandes emissoras de televisão ainda não começaram a cobrir a campanha. A tática, dizem integrantes da direção do partido e da pré-campanha, funcionou para tornar Dilma conhecida e elevar as intenções de voto.

Além dos 15 minutos em inserções do programa nacional, os petistas ainda terão dois minutos e meio em inserções estaduais em 22 de junho, resquícios do tempo de televisão do PT paulista, que também foi quase todo cassado pela Justiça Eleitoral.

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