PT resiste a trocar time no Conselho de Ética

PMDB pressiona para preencher duas vagas no colegiado com representantes favoráveis a Sarney

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

Oposição e aliados do governo no Senado não têm dúvida de que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), vai se manter no cargo. A dificuldade do Planalto e do PMDB para enterrar no Conselho de Ética as denúncias contra o senador, hoje, é enquadrar o PT. Os governistas decidiram ganhar tempo e o conselho só deverá se reunir na próxima quinta-feira. Antes, terão de superar o impasse criado pelo líder petista Aloizio Mercadante (SP), que se recusa a indicar aliados de Sarney para as duas vagas de titular do bloco governista no conselho."A reunião da quinta-feira dependerá de circunstâncias favoráveis. Precisamos conversar para termos segurança de que vamos ganhar", explicou o presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), referindo-se à derrubada de 12 recursos contra o arquivamento de ações que implicam Sarney e o líder tucano Arthur Virgílio (AM).A dificuldade momentânea de sustentar a maioria governista no conselho deve-se ao movimento da bancada petista em favor da reabertura de um dos 11 processos contra Sarney, de olho nas eleições de 2010. Das quatro vagas do bloco governista no conselho, apenas duas estão preenchidas, por João Pedro (PT-AM) e Inácio Arruda (PC do B-CE). Como os dois primeiros suplentes - a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), e o senador Delcídio Amaral (PT-MS) - se recusam a votar, a cúpula do PMDB pediu ao presidente Lula que enquadrasse o PT e Mercadante.Renan e Sarney não admitem "ficar nas mãos" dos outros dois suplentes do bloco, os petistas Eduardo Suplicy (SP) e Augusto Botelho (RR). A saída que o PMDB exige é a de forçar o líder do PT a preencher as duas vagas com o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), e o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). A negociação foi motivo de um bate-boca entre Mercadante e Sarney na quarta-feira. Ao mesmo tempo em que Sarney protestava contra o "absurdo" de desarquivar uma representação contra ele, Mercadante se negava a assumir a responsabilidade de indicar amigos do presidente do Senado.Em conversas reservadas, Mercadante se queixou da pressão crescente do Planalto, de Lula e da cúpula do PT. Amigo de Lula, o petista João Pedro já é contabilizado como voto certo do PMDB no conselho. Ontem, Mercadante admitiu a interlocutores que, com a enorme pressão, dificilmente o PT daria seus outros dois votos para abrir processo contra Sarney. Diante do impasse, o presidente do PSDB, Sergio Guerra (PE), está convencido de que o "imbróglio só se resolverá no voto".

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