PT resiste a trocar time no Conselho de Ética

Impasse foi criado por Aloízio Mercadante, que se recusa a indicar aliados de Sarney

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2009 | 19h44

Oposição e aliados do governo no Senado não têm dúvida de que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), vai se manter no cargo. A dificuldade do Planalto e do PMDB para enterrar no Conselho de Ética as denúncias contra o senador, hoje, é enquadrar o PT. Os governistas decidiram ganhar tempo para negociar uma saída e o Conselho só deverá se reunir na próxima quinta-feira. Antes, terão de superar o impasse criado pelo líder petista Aloízio Mercadante (SP), que se recusa a indicar aliados do presidente Sarney para as duas vagas de titular do bloco governista no Conselho.

 

"A reunião da quinta-feira dependerá de circunstâncias favoráveis. Precisamos conversar para termos segurança de que vamos ganhar", explicou o presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), referindo-se à derrubada dos 12 recursos contra o arquivamento das ações que implicam Sarney e o líder tucano Arthur Virgílio (AM). O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), recomendara a Duque "segurar" seu despacho sobre o Virgílio, até que se garantisse os votos pró-Sarney. Mas Duque acabou forçado a arquivar o caso do tucano, a pedido do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), de quem é segundo suplente no Senado.

 

A dificuldade momentânea de sustentar a maioria governista no Conselho deve-se ao movimento da bancada petista em favor da reabertura de um dos 11 processos contra Sarney, de olho na opinião pública e nas eleições de 2010. Dos quatro titulares do bloco governista no Conselho, apenas duas vagas estão preenchidas: uma com o petista João Pedro (AM) e outra com Inácio Arruda (PC do B-CE). Como os dois primeiros suplentes - a líder do governo no Congresso Ideli Salvati (PT-SC) e o senador Delcídio Amaral (PT-MS) - se recusam a votar porque vão disputar eleição no ano que vem, a cúpula do PMDB pediu ao presidente Lula que enquadrasse o PT e o líder Mercadante.

 

Renan e Sarney não admitem "ficar nas mãos" dos outros dois suplentes do bloco - os petistas Eduardo Suplicy (SP) e Augusto Botelho (RR) - que ameaçam votar contra eles. A saída que o PMDB exige é a de forçar o líder do PT a preencher as duas vagas de titular com votos certos em favor do presidente do Senado: o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), e o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

 

A negociação foi motivo de um bate-boca entre Mercadante e Sarney na noite de quarta-feira. Ao mesmo tempo em que Sarney protestava contra o "absurdo" de desarquivar uma representação contra ele, Mercadante reafirmava sua posição e se negava a assumir a responsabilidade de indicar amigos do presidente do Senado. Preocupado com sua reeleição, o petista argumentou que, com a indicação, ele seria o maior responsável pela absolvição de Sarney diante da opinião pública, o que não aceitaria jamais.

 

Em conversas reservadas, Mercadante se queixou a liderados da pressão crescente do Planalto, do presidente Lula e até da cúpula do PT para livrar Sarney e manter a aliança com o PMDB em 2010. Amigo pessoal de Lula, o petista João Pedro já é contabilizado como voto certo do PMDB no Conselho.

 

Nesta quinta-feira, 13, Mercadante admitiu a interlocutores que, diante da enorme pressão, dificilmente o PT daria seus outros dois votos para abrir processo contra Sarney. Diante do impasse, o presidente do PSDB, Sergio Guerra (PE), está convencido de que "esse imbróglio só se resolverá no voto".

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