PT repudia 'criminalização dos movimentos' na reforma agrária

Partido deu início ao debate sobre as diretrizes para plataforma eleitoral de 2010, mas sem proposta concreta

Vera Lúcia Rosa, de O Estado de S. Paulo,

23 de março de 2009 | 16h51

O PT começou a debater as diretrizes para sua plataforma eleitoral de 2010 em relação à reforma agrária. Em seminário intitulado "A questão agrária hoje: o que fazer? Dimensões, desafios e programa partidário", os petistas repudiaram o que chamam de "criminalização dos movimentos sociais", mas não definiram nenhuma proposta concreta para a provável campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência.

 

O seminário ocorreu nesta terça-feira, 23, a portas fechadas, na sede do PT, mas integrantes do partido confirmaram à Agência Estado que a posição do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de atacar o repasse de dinheiro público ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foi muito criticada. "Essa tentativa de criminalização do MST é mais ideológica do que outra coisa", afirmou Oswaldo Russo, coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT. "Que sociedade é essa em que distribuir recurso para rico pode e para pobre é ilegítimo?"

 

Ex-presidente do Incra, Russo disse que as organizações com as quais o governo faz convênio são "regularizadas". "Não podemos aceitar que alguns setores queiram constranger o governo", insistiu. Ao ser lembrado de que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou, recentemente, as invasões do MST que resultaram em mortes, Russo argumentou que o PT defende ocupações pacíficas.

 

"Não podemos confundir o papel dos movimentos sociais, do governo e do PT. Então, não adianta cobrar do governo o que é dos movimentos sociais", comentou o dirigente petista, dando a senha de como o partido tratará do assunto espinhoso durante a campanha eleitoral de 2010.

 

O assessor de Relações Internacionais do governo Lula, Marco Aurélio Garcia - que também é vice-presidente do PT -, participou da abertura do seminário, que também contou com a presença de representantes do MST, da Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf).

Tudo o que sabemos sobre:
PTreforma agrária

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.