PT rejeita esvaziamento da CPI do Banespa

A ameaça dos partidos da base governista de boicotarem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara sobre o Banespa, caso o deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP) não desista de presidir a investigação, levou hoje o PT a divulgar nota defendendo o funcionamento da comissão. "A bancada do PT manifesta-se pela busca de uma solução negociada e rejeita qualquer manobra para esvaziar a CPI", diz o texto assinado pelo líder do partido na Casa, deputado Walter Pinheiro (BA). De acordo com a nota, cabe ao presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), nomear os representantes das bancadas na comissão, caso haja boicote. O líder do PSDB, Jutahy Júnior (BA), já declarou que não haverá investigação sob a presidência de Fleury, que era governador de São Paulo em 1994, quando foi decretada a intervenção federal no Banespa. O ex-governador é apontado como um dos responsáveis pelo endividamento do banco, que foi privatizado no ano passado. Fleury repetiu hoje que não renunciará à presidência, mas admitiu que a reunião da comissão prevista para terça-feira poderá ser adiada. O motivo alegado por ele é a falta de plenário disponível para a sessão. Fleury foi eleito presidente na quarta-feira, por 12 votos a 2, em disputa com o tucano Salvador Zimbaldi (SP). "Por que os tucanos querem tanto presidir a CPI?", provocou o ex-governador. Segundo ele, a CPI tem como objetivo apurar irregularidades praticadas pelo Banco Central durante a intervenção, entre janeiro de 1995 e 1997, além do processo de privatização. Os partidos da base governista e o próprio PT requereram a anulação da escolha de Fleury, sob o argumento de que um acordo partidário destinava a presidência ao PSDB. "É muito difícil imaginar o funcionamento de um parlamento sem a manutenção de acordos firmados entre suas diversas representações políticas", diz a nota do PT.

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