PT reduz exposição de ex-ministra e evita confronto com rivais

Candidata será poupada ao máximo para evitar riscos capazes de atrapalhar sua subida nas pesquisas

Eugênia Lopes / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h02

Embalada pelos resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, pretende controlar mais sua exposição na mídia e evitar o confronto direto com os adversários, principalmente o tucano José Serra.

 

Depois da convenção do PT, que vai oficializar Dilma como candidata do partido à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ordem no comando da campanha é poupar a petista, ao máximo, de participar de debates e ter uma agenda que a exponha a perguntas indiscretas.

 

A estratégia é tentar impedir a todo custo que qualquer marola recaia sobre a campanha de Dilma, especialmente depois do escândalo do suposto dossiê que teria sido encomendado pelo comitê petista contra Serra.

 

A ideia é levar Dilma apenas a lugares "confortáveis", onde ela não precise polemizar nem se expor. A blindagem em torno da petista tem se tornado mais evidente nos últimos dias. Foi assim ontem quando Dilma recebeu o programa do PMDB para seu eventual governo: apenas fotógrafos e cinegrafistas puderam chegar perto da candidata.

 

"Enquanto for pré-campanha ela não vai participar de debates", confirmou ontem o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. Segundo ele, a estratégia não é nova. "É a mesma de quando ela estava lá atrás nas pesquisas. A função neste momento não é debater. A Dilma é muito menos conhecida que o Serra. O nosso foco era torná-la mais conhecida."

 

Prestígio. Dutra garantiu que Dilma vai participar de todos os debates de TV que serão promovidos entre os candidatos. "Está fechado que ela vai aos debates da TV aberta", disse. "Agora, todas as entidades do Brasil a estão convidando para debates. Isso virou um sinônimo de prestígio. Não dá para ir em tudo."

 

Desde que subiu nas pesquisas, empatando com Serra, a agenda da ex-ministra é construída de forma a colocá-la apenas em solenidades em que não precise enfrentar opositores nem não-simpatizantes.

 

Na quarta-feira da semana passada, Dilma se reuniu com uma centena de empresários em Goiânia. Na sexta-feira, foi aclamada como a futura presidente do Brasil por uma plateia tomada de sindicalistas da Petrobrás. Amanhã, ela também deverá se reunir com um grupo de empresários, em Tiradentes (MG).

 

Na semana que vem, depois de aclamada na convenção do PT, no domingo, como candidata à Presidência, Dilma "desaparece" e embarca, já na segunda-feira à noite, para uma agenda no exterior. Um dos compromissos desmarcados pelo comando da campanha foi a sabatina a que ela seria submetida no jornal Folha de S.Paulo, na quinta-feira.

 

"Estão chegando as férias na Europa e se ela não fosse agora não iria mais. Não tem sentido fazer um cavalo de batalha com isso", argumentou Dutra.

 

O périplo europeu de Dilma prevê a visita a três países com direito a reuniões com o presidente francês, Nicolas Sarkozy; o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero; e o primeiro-ministro de Portugal, o socialista José Sócrates. A ideia é que ela seja recebida nesses países como a candidata do presidente Lula. O comando da campanha quer aproveitar ainda as imagens de seus encontros com líderes mundiais para os programas de TV, que começarão a ser exibidos em meados de agosto. Dilma estará de volta ao Brasil no dia 20.

 

São João. Na semana seguinte ao giro pela Europa, entre os dias 21 e 25, Dilma vai se desdobrar para comparecer às festas juninas do Nordeste. Dutra avisou que vai levá-la às festas de Caruaru, em Pernambuco, e em Campina Grande, na Paraíba. As duas cidades travam uma disputa sobre qual delas faz o "maior São João do Mundo". "Mas ela também vai à festa junina de Aracaju", disse o presidente do PT, que é de Sergipe.

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