Ho/Reuters - 30.08.2011
Ho/Reuters - 30.08.2011

PT recua, mas Lula insiste em fim das prévias

Cúpula petista tenta evitar que disputas internas afetem a campanha eleitoral do ano que vem

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2011 | 22h40

BRASÍLIA - Pressionada por pré-candidatos às eleições de 2012, a cúpula do PT deverá desidratar as mudanças mais radicais previstas no anteprojeto de reforma do estatuto do partido. O principal recuo vai ocorrer na proposta que prega o endurecimento dos critérios para a realização de prévias. Diante do impasse, a tendência do 4.º Congresso do PT, que começa nesta sexta-feira, 2, e vai até domingo, 4, é diminuir as exigências planejadas para restringir as prévias, tradicional mecanismo de escolha dos candidatos, com voto dos filiados.

 

Em reunião marcada para esta sexta-feira, 2, as três correntes que detêm a hegemonia no PT (Construindo um Novo Brasil, Partido de Lutas e de Massas e Novos Rumos) tentarão se unificar e encontrar um meio termo para evitar que disputas na seara petista deixem sequelas na campanha eleitoral.

 

Agora, a ideia é que, para se habilitar à prévia, o pré-candidato tenha o apoio de 20% do total de votantes no último Processo de Eleição Direta (PED). Instituído em 2001, o PED é o instrumento pelo qual os filiados escolhem as direções partidárias em âmbito nacional, estadual e municipal.

 

Seja qual for a decisão, porém, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuará trabalhando para barrar as prévias nas principais capitais, em 2012. Seu argumento é que a luta "do PT contra o PT" é incompreensível para o eleitor, deixa um rastro de mágoas na campanha e pode surtir efeito contrário, beneficiando o adversário.

 

Disputa interna. Em São Paulo, Lula quer uma "cara nova" para enfrentar o PSDB do governador Geraldo Alckmin, o PSD do prefeito Gilberto Kassab e o PMDB do vice-presidente Michel Temer. Confiante em seu plano para ultrapassar os 30% de votos do PT na capital paulista, ele já prepara a estrutura da campanha do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura, e espera a desistência da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Ex-prefeita de 2001 a 2004, Marta trava uma luta pela indicação do PT à cadeira de Kassab.

 

Há ainda, as pré-candidaturas dos deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, que eram do grupo de Marta e se descolaram, e do senador Eduardo Suplicy. Se não houver acordo até novembro ou as regras para as prévias não ficarem mais rígidas, qualquer um deles pode querer bater chapa com Haddad.

 

Coordenada pelo deputado Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT, a comissão encarregada de preparar as emendas referentes à reforma do estatuto chegou a propor que, para se inscrever, o pré-candidato tivesse apoio de 30% dos delegados ou 20% dos filiados. Era o dobro do exigido atualmente em caso de eleição municipal.

 

A exigência provocou protestos até mesmo na corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma do ex-presidente Lula e do ex-ministro José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005. "Eu proponho que o PT não faça prévia nos locais onde é governo, seja na Prefeitura, no Estado ou na Presidência", disse o coordenador da CNB, Francisco Rocha.

 

Para o senador Walter Pinheiro (PT-BA), a proposta é interessante. "A prévia é um instrumento legítimo, mas precisa ser mediado. Não pode ser um mecanismo de enfrentamento nem de briga de correntes, senão a sociedade entende que nem o PT quer o PT", afirmou Pinheiro.

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