PT recorre a empresas para honrar dívida de campanha

O tesoureiro de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José de Filippi Jr., revelou que o PT está conseguindo doações de várias empresas para solucionar o rombo de R$ 10 milhões que restou da vitoriosa campanha presidencial petista. Filippi participou, neste sábado, do seminário "Reforma Política e Cidadania", promovido pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, nas Faculdades Associadas de São Paulo (FASP), em São Paulo. De acordo com Filippi, o problema da dívida de campanha será resolvido nos próximos 15 dias: "Vamos tentar não deixar quase nada dos R$ 10 milhões até final de dezembro", afirmou. Filippi adiantou que R$ 2 milhões já entraram nos cofres do PT, mas não quis adiantar os nomes das empresas doadoras. Outros R$ 5 milhões deverão ser doados nos próximos 15 dias. Desse total, R$ 250 mil virão de uma empresa que receou ter problemas para pagar o 13.º salário e só concordou em fazer a doação depois de pagar os empregados. De acordo com Filippi, muitos prefeitos do PT estão conversando com empresas de seus municípios para ajudar o partido a vencer a dívida de campanha. O trabalho todo, revelou, é coordenado pelo tesoureiro do PT, Paulo Ferreira. Financiamento público Na opinião de Filippi, o Brasil caminha para um impasse em seu sistema político-eleitoral e que a solução possível para resolver esse dilema é uma combinação entre o financiamento público de campanha e o sistema de contribuições privadas. Para ele, como o setor privado se afasta cada vez mais das campanhas eleitorais e como ainda não existem condições para estimular doações significativas de pessoas físicas, o cruzamento das doações de empresas com o financiamento público é a alternativa para sustentar o processo eleitoral. Ele ressaltou que, na última eleição, um grupo de 20 empresas fez doações de R$ 300 milhões, cobrindo 20% do total arrecadado pelas campanhas. "Algumas empresas se retraíram por conta da publicidade negativa que esse tema propicia, com a possibilidade de saírem (na mídia) como financiadoras de políticos e que certamente têm interesses envolvidos", especulou, acrescentando que até mesmo grupos com histórico de contribuições eleitorais têm se mostrado "saturados". Filippi ressaltou que esta seria uma forma para amenizar a interferência do poder econômico sobre o processo democrático. "O sistema democrático tem que induzir a aplicação dos recursos, e não o contrário", destacou. Ele defende que o Estado financie as campanhas, a um custo em torno de R$ 7 por eleitor, valor que, segundo ele, representa a metade do gastos na última eleição", disse.

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