PT quer que campanha de Waldez Góes tire do ar propaganda com Lula

'O presidente apoiou o candidato do PDT ao senado, não as falcatruas que ele fez', afirma secretário Nacional de Mobilização do PT

Bruno Paes Manso, Enviado especial ao Amapá

13 de setembro de 2010 | 18h09

A Executiva Nacional do PT vai pressionar os coordenadores da campanha do candidato ao senado Waldez Góes (PDT), preso na sexta-feira durante a Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, no Amapá, para tirar do ar as inserções em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece pedindo votos para Waldez.

 

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Nos dias que se seguiram à prisão, a fala do presidente pedindo votos ao senador continuou sendo mostrada exaustivamente na televisão do Amapá. A campanha do governador Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, outro que foi preso na operação de sexta-feira, também continua na televisão apresentando a ligação política com a campanha de Dilma para presidente.

 

"O presidente Lula apoiou o candidato do PDT ao senado, não as falcatruas que ele fez", afirma Jorge Coelho, secretário Nacional de Mobilização do PT, que desde sexta-feira estava no Estado. "Por isso cobramos hombridade do senador para retirar a peça publicitária do ar", diz.

 

Segundo Coelho, a pressão para a retirada da peça também vai ser reforçada em Brasília pelo presidente Nacional do PT, José Eduardo Dutra. A campanha do candidato tucano a presidente, José Serra, já vem explorando nos últimos dias na televisão o apoio dado pelo presidente Lula aos candidatos presos.

 

O tucano Jorge Amanajás, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado, que concorre ao governo pelo PSDB, também foi chamado para depor na Operação Mãos Limpas. Amanajás afirma que a convocação ocorreu para que ele apresentasse números sobre funcionários e despesas da Assembleia, que conta com cerca de mil funcionário em cargos de confiança. "Não sabemos ainda o teor do inquérito, que é sigiloso. Fica difícil, portanto, fazer qualquer análise sobre as investigações", diz Amanajás.

 

O professor Marcos Roberto Marques da Silva, que é candidato ao senado pelo PT no Amapá, não recebeu apoio gravado do presidente Lula para ser usado na televisão. Segundo integrantes do PT no Estado, o apoio gravado de Lula a Waldez Góes no Amapá ocorreu a pedido do senador José Sarney (PMDB), que além de Góes, apoia a candidatura do peemedebista Gilvam Borges.

 

O candidato João Capiberibe (PSB), partido que faz coligação no Estado com o PT, também não recebeu o apoio na televisão de Lula. "Uma coisa é o apoio do presidente, sobre o qual o partido não tem controle. Outra coisa é o PT, que não está com Waldez", afirma a petista Dora Nascimento, candidata a vice governadora na chapa de Camilo Capiberibe (PSB).

 

Surpresa. Segundo sondagens feitas pelo PMDB depois da operação Mãos Limpas da Polícia Federal, a prisão de integrantes do governo no Amapá vai beneficiar principalmente a candidatura ao senado do PSOL, a única a fazer oposição aberta tanto ao senador José Sarney (PMDB-AP) como ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Os dados da ascensão da oposição a Lula e a Sarney chegaram às mãos da equipe de campanha do candidato Gilvam Borges (PMDB), que concorre à reeleição ao senado com o apoio de Lula e do ex-presidente José Sarney (PMDB). "Mudaram os ânimos dos eleitores e agora a candidatura do PSOL está no jogo. Essa candidatura de oposição deve ser a grande surpresa dessas eleições", analisa o peemedebista Gilvam Borges.

 

Nas últimas pesquisas divulgadas pelo Ibope no Amapá, Randolfe aparecia em quarto lugar. Góes ainda aparecia em primeiro. O peemedebista Borges era o segundo e João Capiberibe (PSB) estava em terceiro. Randolfe, contudo, já era o candidato que registrava maior velocidade de crescimento.

 

Em 2006, a disputa ao senado pelo Amapá já foi marcada por surpresas. Concorrendo à reeleição, o ex-presidente José Sarney quase perdeu a vaga nas urnas para a candidata neófita Cristina Almeida (PSB), que hoje é vereadora em Macapá. "O 11 de setembro do Amapá foi no dia 10 de setembro. Depois de sexta-feira acredito mesmo que tudo pode acontecer", afirma o candidato Randolfe Rodrigues.

 

Aos 37 anos, professor universitário em direito constitucional e história do direito em universidades privadas do Estado, Randolfe puxou no ano passado movimento popular no Amapá pedindo o afastamento de Sarney do senado depois das denúncias dos atos secretos. Randolfe participa da campanha junto com o candidato Lucas Barreto (PTB), que aparece em primeiro lugar nas pesquisas ao governo do Estado.

 

Para complicar ainda mais o cenário, esta semana o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve decidir ainda a respeito da cassação de João Capiberibe, acusado de compra de votos na eleição em 2002. Na semana passada, a candidatura de Janete Capiberibe a deputada federal foi cassada pelo TSE com base nas mesmas acusações. Uma decisão desfavorável da Justiça ao candidato socialista pode aquecer ainda mais a ascensão do concorrente do PSOL ao senado.

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