PT quer palanque único nos Estados

Comando nacional do partido conta com Lula para resolver impasses

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

25 de julho de 2009 | 00h00

O lançamento da pré-candidatura do ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), a governador no Rio Grande do Sul evidenciou a divisão da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado e estimulou outros governistas a levarem adiante seus planos de oferecer mais de um palanque regional à ministra Dilma Rousseff. É o caso do ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), na Bahia, e do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Faria (PT), no Rio de Janeiro. Por outro lado, o comando nacional do PT se prepara para reforçar a estratégia de um palanque único em cada Estado e conta com a interferência direta de Lula para resolver os impasses. "O ideal é o palanque unificado, mas sabemos que há Estados onde é impossível um acordo. Do ponto de vista político, (a disputa entre candidatos pró-Dilma nos Estados) tem o lado positivo de alcançar eleitores de perfis diferentes, com visões antagônicas. Mas o conflito entre aliados, até na disputa pela agenda do candidato à Presidência, não é bom", diz o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). No Rio Grande do Sul, terra de Dilma, o PMDB não aceita aliança com o PT.O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também trabalha por um candidato forte da oposição em cada Estado, com palanque único para o nome tucano que disputará a Presidência, o governador de São Paulo, José Serra, ou o de Minas, Aécio Neves. "Onde há disputa entre aliados, eles acabam se preocupando mais com as próprias candidaturas do que com o projeto nacional", diz Guerra.O PSDB tem o trauma das eleições de 2006, onde o então candidato tucano, Geraldo Alckmin, acabou sem palanque forte na Bahia, no Ceará e no Rio de Janeiro, por causa de disputas internas do PSDB ou com os aliados DEM e PPS.CENÁRIOS Na Bahia, tucanos e democratas formaram uma inédita aliança e apoiarão a candidatura do ex-governador Paulo Souto (DEM). Entre os aliados do presidente Lula, a tendência é de divisão. Geddel Vieira Lima tenta viabilizar uma candidatura ao governo e anunciou o rompimento com o governador petista Jaques Wagner. Em conversa com Wagner na segunda-feira, Lula disse que dois palanques para Dilma na Bahia são um problema, não uma vantagem. O ideal, defendeu, é um palanque único que inspire credibilidade ao eleitorado. Ainda assim, Lula não procurou Geddel para negociar uma saída. A mais de um ano da eleição, ele prefere deixar livres os pré-candidatos para medir o desempenho de cada um. O mesmo ocorre no Rio. O petista Lindberg Faria trabalha intensamente para fortalecer sua pré-candidatura ao governo, em disputa com outro aliado do presidente, o governador Sérgio Cabral (PMDB). O Rio tem ainda a possibilidade de um terceiro aliado do presidente disputar o governo, abrindo três palanques para Dilma. É o ex-governador Anthony Garotinho, ex-adversário de Lula, agora filiado ao PR."Ter três palanques no Rio é a melhor coisa do ponto de vista eleitoral para Dilma. O eleitor que sempre votou na esquerda não vota em Cabral", diz Lindberg. "Além disso, uma candidatura própria ao governo impulsiona a eleição de deputados." Prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ele só vê uma possibilidade de desistir da candidatura. "Eu só abriria mão por um pedido do presidente Lula. Mas acho que ele não vai fazer. Abrir mão de uma candidatura no Rio penalizaria muito o PT e os deputados."O vice-governador do Rio, Luiz Fernando de Souza, o Pezão, rejeita a tese de que a divisão favoreça Dilma, embora insista que ainda falta muito tempo para as definições das candidaturas. "Assim como em Brasília o pensamento é de uma eleição plebiscitária para presidente, entre os que aprovam e não aprovam o governo, no Rio a ideia também é essa. Por isso, o ideal é um palanque único e acredito que o governador Sérgio Cabral vá construir uma ampla aliança. Quem aprova o governo vota a favor", diz Pezão.

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