Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

PT quer mudança na economia como tática para fortalecer Dilma

Dirigente da sigla diz ser 'difícil' engajar militância com política econômica atual; Lula pede à legenda 'reconciliação com base'

Ricardo Galhardo , Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2015 | 02h03

SÃO PAULO - A primeira reunião do recém- criado Conselho Consultivo do PT, realizada na segunda-feira, em São Paulo, com participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virou espaço de pressão do partido por mudanças na política econômica do governo Dilma Rousseff. Segundo relatos, vários participantes disseram que, com a atual política econômica, será difícil mobilizar militantes para irem às ruas defender o governo contra os pedidos de impeachment.

Uma das conclusões dos participantes foi a de que não existem motivos jurídicos para o afastamento de Dilma. Restam, portanto, os motivos políticos, que devem ser combatidos nas ruas, por meio de mobilizações populares. "É muito difícil engajar amplos setores populares em nossa defesa se as ações do governo contribuem para a recessão e o desemprego", escreveu o dirigente petista Valter Pomar, que reproduziu o texto durante o encontro.

Segundo relatos, Lula chamou atenção para a necessidade de o PT, diante da grave crise política, recompor suas bases sociais, embora não tenha citado a política econômica.

Prioridade. Na saída da reunião, o presidente do PT, Rui Falcão, disse, em entrevista coletiva, que foi discutida a necessidade de mudanças na atual política econômica do governo da correligionária Dilma Rousseff. "Especialmente, iniciando com a queda na taxa de juros." Atualmente, mesmo com o cenário recessivo na economia, os juros seguem em seu maior nível em nove anos, desde julho de 2006, com a taxa Selic em 14,25% ao ano.

Falcão defendeu também a promoção de mudanças tributárias "maiores do que as que estão propostas", como as que recaem sobre lucros e dividendos sobre ganhos de grandes heranças e fortunas. "Precisamos, ainda, no médio prazo, de uma grande reforma tributária que mude a base do sistema, que incida mais sobre a propriedade e riqueza e menos sobre produção e salário."

Na semana passada, a executiva nacional do PT já havia pedido mudanças na política econômica do governo. Na próxima segunda-feira, a Fundação Perseu Abramo, mantida pelo partido, lança em conjunto com outras entidades um estudo que também pede alterações na condução da economia.

Além de Lula, a reunião do conselho contou com a presença dos governadores Tião Vianna (AC) e Wellington Dias (PI), do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e de intelectuais não filiados ao PT, como o escritor Fernando Morais.

2016. Durante o encontro, alguns participantes destacaram a importância da reeleição de Haddad nas eleições municipais do ano que vem. A tarefa foi colocada no ranking de prioridades ao lado da mobilização contra o impeachment de Dilma e da recomposição da relação do PT com movimentos sociais.

Todas as propostas discutidas na reunião de segunda-feira serão levadas ao governo Dilma.

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