PT quer manter presidente ao lado de Dilma

João Domingos / BRASÍLIA

João Domingos ,

30 de março de 2010 | 04h21

O PT quer aumentar a participação de Lula na campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência. Apreensivos com a dianteira do governador José Serra (PSDB), nove pontos à frente, segundo o último Datafolha, dirigentes do partido operam para reforçar a presença física do presidente na campanha.

“Temos pela frente um candidato competitivo, de um partido competitivo, que esteve à frente do Executivo por oito anos antes da eleição do presidente Lula. Temos também uma candidata que se mostrou competitiva e que tem condição de vencer. Caberá ao presidente Lula ser o diferencial nessa campanha. É ele que vai decidir”, disse o governador de Sergipe Marcelo Déda (PT).

Expediente. Déda e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, também de Sergipe, acham que Lula deverá participar da campanha de Dilma sem se licenciar do cargo. Segundo o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, Lula poderá fazer campanha normalmente, desde que nos fins de semana e fora do expediente de trabalho.

Os petistas avaliam que a partir da desincompatibilização dos candidatos do PT e do PSDB, nesta semana, até o início da campanha, em julho, Dilma e Serra viverão uma gangorra nas pesquisas. No fim do semestre, com os programas partidários que serão exibidos em rádio e TV, será possível fazer uma análise melhor da situação dos candidatos.

Na avaliação dos petistas, a presença de Lula no palanque de Dilma será fundamental porque o presidente já mostrou que transfere votos. Quando as pesquisas tiveram início, e Dilma era desconhecida do grande eleitorado, havia o temor de que ficaria sempre abaixo dos 10%.

Mas foi só Lula passar a andar com ela a tiracolo, que os eleitores começaram a mostrar a preferência pela ministra, fazendo-a encostar nos 30 pontos porcentuais. Dilma transformou-se, assim, numa candidata competitiva. “Nesse meio tempo pulamos dois obstáculos importantes. Mostramos que a candidata tem condições de vencer e que sua escolha não enfrentou problemas dentro do PT”, disse Déda.

A escolhida. A escolha de Dilma para a sucessão presidencial pelo PT foi feita por Lula ainda em 2007. Quase quatro anos antes da eleição, começou a dizer que sua candidata para lhe suceder era Dilma Rousseff. A estratégia deu certo. A desconhecida ministra virou de fato uma candidata competitiva, segundo apontam as últimas pesquisas de intenção de voto.

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