PT quer inquérito contra Itagiba por suposta espionagem

O presidente nacional do PT e coordenador da campanha da presidenciável Dilma Rousseff, José Eduardo Dutra, anunciou no fim da tarde de hoje que vai pedir a abertura de novo inquérito à Polícia Federal (PF), desta vez para apurar a existência de suposta "central de espionagem" comandada pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ).

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

20 de outubro de 2010 | 18h53

Investigação da Polícia Federal (PF) apontou que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. encomendou a violação dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha do candidato à Presidência José Serra (PSDB), Verônica Serra, e de outros tucanos, entre setembro e outubro de 2009.

Amaury relatou à PF que decidiu fazer a investigação depois de descobrir que Itagiba, ex-delegado da corporação, estaria à frente de um grupo de espionagem a serviço de Serra para devassar a vida do ex-governador mineiro Aécio Neves. À época, os dois disputavam a candidatura à Presidência da República pelo partido.

Segundo o presidente do PT, a conclusão da PF isenta o partido de qualquer envolvimento com a quebra de sigilo dos políticos tucanos e de pessoas próximas a Serra. "Caiu por terra a tentativa de Serra e da oposição de dar forma de estrela a esse bicho dossiê, que tem perna, pena e bico de tucano", declarou.

Para Dutra, no entanto, falta apontar a "motivação" da quebra de sigilos dos tucanos. Por isso, o PT vai pedir a abertura de novo inquérito, bem como acesso aos autos da investigação que concluiu pela responsabilidade de Amaury Ribeiro Jr.

O jornalista participou do grupo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff em 2010. Esteve em uma reunião em abril com a coordenação de comunicação da campanha petista, na época sob responsabilidade do jornalista Luiz Lanzetta, proprietário da Lanza Comunicação. Depois do escândalo do dossiê contra os tucanos, o PT rompeu o contrato com a empresa.

Hospedagem

Dutra rebateu a afirmação de Amaury Jr. de que o PT teria custeado sua hospedagem em Brasília. O jornalista afirmou à PF, no depoimento de 13 horas concedido na semana passada, que alguém ligado ao PT pagou o aluguel do apartamento em que se hospedou.

O dirigente petista reafirmou ainda que não autorizou nem encomendou a Lanzetta a confecção de um dossiê contra os tucanos. "Se ele agiu assim, essa conduta é de exclusiva responsabilidade dele", concluiu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.