PT quer evitar prévias entre pré-candidatos nos Estados

Argumento é de que guerra interna pode respingar na campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2010 | 19h37

O Diretório Nacional do PT deve aprovar nesta sexta-feira, 4, uma resolução política recomendando às seções estaduais do partido que evitem prévias para a escolha de candidatos aos governos e ao Senado. A ideia era proibir com todas as letras as prévias, sob o argumento de que uma guerra interna entre petistas pode respingar na campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A tendência, porém, é adotar agora uma solução de meio termo, sem vetar a prévia no papel, mas agindo nos bastidores para desidratá-la.

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu à cúpula do PT que atuará para impedir uma disputa fratricida entre pré-candidatos petistas ao Senado no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no Mato Grosso. "Prévia não tem sentido neste momento, mas respeito qualquer decisão", afirmou o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Se não houver acordo, Lindberg terá de enfrentar a secretária de Ação Social do governo fluminense, Benedita da Silva, que também está de olho na vaga ao Senado.

 

O estatuto do PT determina a realização de prévia, com voto dos filiados, quando houver mais de um postulante ao mesmo cargo majoritário. Trata-se de tradicional mecanismo de escolha no partido. Mas, na tentativa de evitar embaraços para a campanha de Dilma, o Diretório Nacional do PT prega acordo entre os pré-candidatos nos encontros estaduais, que começam neste mês e devem ser esticados até junho, para a definição da política eleitoral e da tática de alianças.

 

No Distrito Federal, o escândalo do mensalão envolvendo o governador José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido) animou ainda mais as correntes do PT. O deputado Geraldo Magela (PT-DF) e o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agnelo Queiroz, já se inscreveram para disputar prévia no próximo dia 21, com o objetivo de garantir a indicação do partido na corrida pela cadeira de Arruda.

 

"Eu não acho que as prévias possam causar constrangimentos à campanha da ministra Dilma. Isso é excesso de zelo", afirmou o ex-ministro da Saúde, Humberto Costa. "Mas, de fato, o PT precisa saber lidar com esse instrumento, que, infelizmente, acabou se transformando em instrumento de guerra", emendou ele.

 

Atual secretário das Cidades do governo de Pernambuco, Costa admite a possibilidade de enfrentar o ex-prefeito do Recife João Paulo Lima e Silva, que também deseja concorrer ao Senado. No Mato Grosso, o duelo pode ocorrer entre a senadora Serys Slhessarenko, candidata à reeleição, e o deputado Carlos Abicalil.

 

Em São Paulo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também não abre mão de disputar prévia para o governo paulista, mesmo se o PT não tiver chapa própria. Até agora, o partido está refém do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que pretende concorrer à sucessão de Lula, mas, a pedido do presidente, pode ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Enquanto espera a decisão de Ciro, o PT deixou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) de "stand-by".

 

Líder do PT no Senado, Mercadante quer entrar na corrida por um segundo mandato, mas é possível que tenha de mudar de planos e concorrer ao governo de São Paulo.

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