PT quer encontro com Marta logo após carnaval

Direção do partido em SP ouvirá ex-prefeita sobre sucessão, mas promete não pressioná-la a se decidir

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2008 | 00h00

O PT vai procurar a ministra do Turismo, Marta Suplicy, logo após o carnaval para agendar uma conversa sobre as eleições municipais deste ano e abrir o diálogo sobre uma eventual candidatura à Prefeitura de São Paulo. A conversa, articulada pelo presidente estadual do partido, Edinho Silva, vai inaugurar as negociações para a campanha no momento em que a ex-prefeita evita o tema da disputa eleitoral e diz não ter pressa em decidir se aceitará concorrer. "Nós queremos dialogar com a ministra, ouvir dela o que está pensando", disse Edinho, eleito no fim do ano passado para o comando do PT paulista e prestes a concluir seu segundo mandato como prefeito de Araraquara (SP). Apesar de não esconder a preferência pelo nome de Marta para a chapa, ele evitou intensificar as pressões sobre a ministra. Disse que a reunião não terá por objetivo formalizar o pedido de candidatura e, muito menos, cobrar uma decisão rápida. "Isso seria um constrangimento."Edinho destacou, porém, que seria bom para o partido saber quem será o candidato. "O ideal seria que já tivéssemos uma decisão. Mas, já que não temos, pode ser em março, junho", disse. "É uma decisão difícil. Seria uma perda muito grande a Marta sair do ministério. Acredito que esse tempo que pediu para se decidir é correto."Pelas regras eleitorais, Marta tem até junho para decidir se será candidata. Mas seus aliados avaliam que a resposta oficial da ministra virá, no máximo, até abril. Nas primeiras conversas sobre o tema, Marta disse a interlocutores que gostaria de se preservar para 2010, provavelmente para o governo estadual, mas sem descartar a sucessão presidencial. Nas últimas semanas, ela começou a se mostrar mais flexível e a cogitar a candidatura este ano. Antes de bater o martelo, tende a esperar que o quadro eleitoral fique mais claro e ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Se Marta desistir, o PT conta com algumas alternativas, mas nenhuma delas com o potencial eleitoral da ex-prefeita. A lista inclui o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), e o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP). Outro nome é o do também parlamentar Jilmar Tatto (SP). Edinho disse não descartar o senador Aloizio Mercadante (SP) como nome capaz de angariar votos, mas insistiu em que ele não manifestou nenhuma intenção de concorrer. De qualquer forma, o partido reconhece que a campanha será difícil sem Marta. "Tudo fica mais fácil quando você tem uma liderança forte à frente das coisas."ESTRATÉGIA O presidente do PT paulista garantiu que o partido não ficará parado enquanto espera uma definição. A idéia é iniciar as conversas para a política de alianças. "Temos de ouvir dos partidos o que eles pensam e saber se o apoio estaria condicionado ao nome de Marta." A prioridade, de acordo com o dirigente, será ganhar o apoio do PMDB em São Paulo e cidades estratégicas, em troca da cabeça de chapa em alguns municípios onde peemedebistas têm chances maiores de vitória. Definida a política de alianças, o passo seguinte será montar uma proposta que permita recuperar o espaço perdido em setores da classe média e firmar o PT como um "interlocutor" do governo Lula.

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